O mistério da vida
A vida é um mistério! Para mim, esta é uma afirmação
acaciana, de tão óbvia, embora, invariavelmente, quando trago o assunto à baila
e afirmo isso com tamanha convicção, sou contestado por muitos (com argumentos
ou sem eles), que julgam entendê-la. Será que entendem mesmo? É muita
presunção! Não sou dono da verdade (que, aliás, não tem donos e que é conceito
tão ambíguo que comporta infinidade de significados), mas é a certeza que
tenho. Como a vida surgiu? Restringe-se, apenas, a este planeta específico em
que vivemos? Está espalhada universo afora? Onde? Caso a resposta seja positiva
(o que ninguém jamais comprovou e talvez nunca possa comprovar), de que forma
ela se apresenta? Afinal, aqui na Terra, há bilhões de seres vivos diferentes
uns dos outros. Alhures, a probabilidade seria que as diferenças beirassem o
infinito.
Cientistas afirmam (sem qualquer base concreta) não haver
lógica alguma caso a vida seja restrita, exclusivamente, “apenas” (e perdoem a
redundância) à Terra. Mas... quem disse que o universo é lógico, pelo menos da
forma como entendemos esse conceito? A dúvida é a salvaguarda do homem
racional, que requer um mínimo de comprovação para dar qualquer coisa como “favas
contadas”. Reduzamos, porém, nosso questionamento, ou nossas conjecturas como
queiram, a um bilionésimo (quiçá trilionésimo) das espécies vivas que povoam a
Terra: à nossa, dos humanos.
Nossa vida tem alguma lógica, algum sentido, alguma
finalidade, ou nós é que “procuramos” algum (ou alguns) e nos aferramos a ele (ou a eles), como se
fosse (ou fossem) a mais lídima expressão da verdade? É movida por nossa
vontade, posto que não exclusivamente por ela, ou está por conta, apenas, do
acaso? Até concordo que o tema não seja nada prático, que não vá, por exemplo,
baixar a cotação do dólar, mas, convenhamos, é magnífico assunto para reflexão,
para exercitarmos o que temos de mais característico e nobre e que nos
diferencia dos outros seres vivos: o raciocínio. Muitos não gostam quando faço
citações e interpretam-nas (não sei baseados no que), como mera manifestação de
pedantismo da minha parte. Rebato e afirmo que tais insinuações são no mínimo “burras”
(e me perdoem a deselegância). Ademais, quem não gostar desse meu procedimento
está liberado de continuar lendo estas reflexões, combinado?
Pesquisei em minha biblioteca livros de alguns de meus
autores favoritos e topei com opiniões um tanto convergentes sobre a questão da
vida humana. Claro que não concordo (e nem discordo) liminarmente com todas
elas, mas juro que reflito atentamente a respeito. Afinal, esta é uma das
finalidades (não sei se a principal) da Literatura: a de nos induzir ao
raciocínio. O colombiano Gabriel Garcia Marquez (saudoso Gabo!), observou certa
feita, por exemplo: “A vida de uma pessoa não é o que lhe acontece, mas aquilo
que recorda e a maneira como o recorda”. Não tenho como discordar. Como também
não discordo disso que o português Vergílio Ferreira escreveu: “A nossa vida é
toda ela feita de acasos. Mas é o que em nós há de necessário que lhes há de
dar um sentido”.Afinal, não escolhemos a época e nem o país em que nascemos, muito
menos a classe social em que estaremos inseridos e sequer quais serão nossos
pais. Todo esse “pacote” já vem prontinho e fechado quando do nosso nascimento.
Ou não?
Oscar Wilde, porém, entendia que temos, sim, certa margem de
escolha. Será? Porém, não a quantificou. Escreveu a propósito: “Há momentos em
que é preciso escolher entre viver a sua própria vida plenamente, inteiramente,
completamente, ou assumir a existência degradante, ignóbil e falsa que o mundo,
na sua hipocrisia, nos impõe”. Albert Camus, por sua vez, entendia que a descoberta
de um sentido para nossa existência poderia ser, de fato, um mal, e não o bem
que supomos; Declarou: “Antes, a questão era descobrir se a vida precisava ter algum significado para ser vivida. Agora,
ao contrário, ficou evidente que ela será vivida melhor se não tiver
significado”. Desconfio que esteja com a razão, posto não ter certeza.
José Saramago – o único escritor de língua portuguesa a ser
premiado com um Nobel de Literatura – chegou a uma constatação que entendo acaciana, de tão óbvia, posto que muitos e
muitos e muitos não se dêem conta. Escreveu: “A vida, que parece uma linha reta, não o é.
Construímos a nossa vida só nuns cinco por cento, o resto é feito pelos outros,
porque vivemos com os outros e às vezes contra os outros. Mas essa pequena
percentagem, esses cinco por cento, é o resultado da sinceridade consigo mesmo”.
A menos que me provem o contrário, estou convicto que nosso sucesso e nosso
fracasso estão, em grande parte (talvez em 90% ou mais) em mãos alheias. Mas...
não posso jurar....
Finalmente, para não maçá-los além da conta, reproduzo a
visão de Florbela Espanca a propósito. Ela soa, é verdade, sumamente
pessimista, em se tratando de uma poetisa. Escreveu, em uma de suas tantas
cartas: “A vida é apenas isto: um encadeamento de acasos bons e maus,
encadeamento sem lógica, nem razão; é preciso a gente olhá-la de frente com
coragem e pensar, mas sem desfalecimentos, que a nossa hora há de vir, que a
gente há de ter um dia em que há de poder dormir, e não ouvir, não ver, não
compreender nada”..
Todavia, para não encerrar estas descompromissadas reflexões
em tom pessimista (o que estou longe de ser), reproduzo a confissão feita por
George Bernanos, que expressou, “ipsis literis”, minha posição a respeito. O
ilustre escritor e jornalista francês declarou: “Se pudesse recomeçar a vida,
eu procuraria fazer meus sonhos ainda mais grandiosos, porque a vida é infinitamente
mais bela e maior do que eu pensava, mesmo em sonhos”. Todavia... é insondável
mistério, como tudo o que nos cerca, em um universo absurdamente imenso
(infinito?), turbulento, dinâmico, aparentemente caótico e... inexplicável.
Boa leitura.
O Editor.
Acompanhe o Editor pelo twitter: @bondaczuk
A salada ficou confusa e as citações em parte se contradisseram, enquanto outras outras se complementaram. Não me peça para especificar. Eu me diverti.
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