

Amadora
* Por Evelyne Furtado
Se eu cantasse, cantaria baixinho só para você me ouvir. Meu canto seria intimista, sim. Um banquinho, um violão e minha voz dizendo coisas de amor.
Não toco violão, portanto, teria que ser acompanhada. Com minha expressividade gestual, nenhum banquinho aguentaria o tranco.
E o amor, para mim, tão amplo em suas manifestações, não seria contido nessa forma de cantar.
Por isso eu não cantaria como Nara Leão, que gosto tanto de ouvir, e assim, retiro o que disse ao começar.
Se eu pudesse escolher seria Elis atrás da porta, vendo o adeus nos olhos teus e me desfazendo para lhe amar ao avesso ou gritaria para todos ouvirem em voz perfeita o meu nome, como Gal cantou.
Se eu cantasse, cantaria como Ana Carolina e faria do som que vem da minha garganta a interpretação sincera de minhas emoções. Faria do meu canto a extensão das minhas inseguranças, das minhas dores e da plenitude de amar.
Se eu tivesse aquela herança genética eu cantaria como Nana Caymmi, com toda potência vocal que Deus e seus pais lhe deram.
Bem, se eu cantasse, cantaria com todo sentimento e técnica a dor que é minha e de mais ninguém como Marisa Monte faz.
E incluiria o que só recentemente descobri: a exuberância de Maysa contrastando com a intimidade de suas composições.
Uniria, ainda, técnica e espontaneidade e me sentiria Roberta Sá, cantando Fogo e Gasolina.
Para falar a verdade eu não nasci sabendo, nem aprendi, mas canto. Antes cantava em coro nas rodinhas e quando pediam para eu cantar só, emudecia. Agora, desavergonhadamente canto até de microfone na mão.
Não canto bem, mas interpreto cada letra com tanta intensidade que às vezes esqueço o tamanho de minha voz. Mas, é tão prazeroso que vale à pena a rouquidão que se segue.
Sempre disse que era uma cantora frustrada, mas hoje sei que o melhor de tudo é cantar sem medo de errar e só uma amadora pode cantar assim.
* Cronista e poetisa em Natal/RN
* Por Evelyne Furtado
Se eu cantasse, cantaria baixinho só para você me ouvir. Meu canto seria intimista, sim. Um banquinho, um violão e minha voz dizendo coisas de amor.
Não toco violão, portanto, teria que ser acompanhada. Com minha expressividade gestual, nenhum banquinho aguentaria o tranco.
E o amor, para mim, tão amplo em suas manifestações, não seria contido nessa forma de cantar.
Por isso eu não cantaria como Nara Leão, que gosto tanto de ouvir, e assim, retiro o que disse ao começar.
Se eu pudesse escolher seria Elis atrás da porta, vendo o adeus nos olhos teus e me desfazendo para lhe amar ao avesso ou gritaria para todos ouvirem em voz perfeita o meu nome, como Gal cantou.
Se eu cantasse, cantaria como Ana Carolina e faria do som que vem da minha garganta a interpretação sincera de minhas emoções. Faria do meu canto a extensão das minhas inseguranças, das minhas dores e da plenitude de amar.
Se eu tivesse aquela herança genética eu cantaria como Nana Caymmi, com toda potência vocal que Deus e seus pais lhe deram.
Bem, se eu cantasse, cantaria com todo sentimento e técnica a dor que é minha e de mais ninguém como Marisa Monte faz.
E incluiria o que só recentemente descobri: a exuberância de Maysa contrastando com a intimidade de suas composições.
Uniria, ainda, técnica e espontaneidade e me sentiria Roberta Sá, cantando Fogo e Gasolina.
Para falar a verdade eu não nasci sabendo, nem aprendi, mas canto. Antes cantava em coro nas rodinhas e quando pediam para eu cantar só, emudecia. Agora, desavergonhadamente canto até de microfone na mão.
Não canto bem, mas interpreto cada letra com tanta intensidade que às vezes esqueço o tamanho de minha voz. Mas, é tão prazeroso que vale à pena a rouquidão que se segue.
Sempre disse que era uma cantora frustrada, mas hoje sei que o melhor de tudo é cantar sem medo de errar e só uma amadora pode cantar assim.
* Cronista e poetisa em Natal/RN

Quantas coragens nos poupamos de ter. Muitas covardias somamos na vida. Maldita insegurança que nos assola. Melhor fazer assim como você fez: cantou( agradou? E quem liga para isso?), agradou a si mesma, e veio destemidamente nos contar que você viveu essa gostosa experiência e muitas outras que aconteceram e acontecerão. É por essa e muitas outras que a admiro Evelyne Furtado, a poetisa que não fica apenas numa modalidade, pois vai do poetar, ao cantar e ao prosear, e ainda por cima sem contar papo. Inveja da boa!
ResponderExcluirEvelyne, quer dizer que você tem outro dom , Cantar ?
ResponderExcluirOlha....eu gostaria também de cantar. Poder soltar os peitos e ir embora. Mas , infelizmente, sou muito, mais muito desafinada mesmo. Sem chance.
Bemmm..se eu cantasse, iria ser Ivete Sangalo, para correr de um lado para o outro. Energia.Vibração. Veria todo mundo dançando e dançaria também. Quem sabe assim, seria menos inquieta ?
Acho que Deus achou que eu tinha que escrever para me equilibrar.
Se é para cantar,vamos cantar !
Afinal, quem canta, seus males espanta.
Ah sim, AMO todas as cantoras citadas por você.
Beijão, cantora.
Além de cantar, literalmente, você canta literariamente. E encanta. Um beijo, amiga.
ResponderExcluirMeus queridos, eu adoro música e acordo todos os dias cantando, mas não tenho os recursos que possuem o elenco de cantoras que citei (entre outras que admiro). Em algumas ocasiões canto para platéias de amigos e familiares apenas. Mas o que me fez sair do conforto no coro foi ter vencido o medo de errar, aceitando as minhas limitações. Pelo mesmo motivo exponho o que escrevo e recebo o carinhoso incentivo de vocês. o que não tem preço.
ResponderExcluirObrigada, Mara, Celamar e Marcelo. Vocês formam uma platéia especial.
Beijos.
Amadora é quem ama, e o amor não tem modelo, não tem receita, é de bate-pronto. Arriscar-se, dar o salto no escuro, é seu grande mérito, Eve. Isso demanda coragem, uma atitude afirmativa na vida. Portanto, parabéns a vc que, de certa forma, assemelha-se a Nara: apesar da pouca voz, sabia dizer como ninguém. E isso no pé do ouvido ... hum, sei não!
ResponderExcluirCantora, é?! Evelyne, os grandes cantores normalmente têm vozes maravilhosas, mas não necessariamente. O imprescindível de um (a)grande cantor (a) não é a voz, acredite. Um (a)grande cantor (a) não vive mesmo é sem a sensibilidade. 06 beijos pra você, Evelyne.
ResponderExcluirquem canta seus males espanta.. cantemos seja de que jeito e onde for...eu só dirijo cantando. o chuveiro é outro dos meus palcos preferidos. beijos e parabéns pelo texto e pelas referências musicais.
ResponderExcluirDaniel, Fábio e Aliene. Cantar é uma delícia, mesmo. Beijos e obrigada.
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