Conheço-me
* Por
Evelyne Furtado
Conheço-me quando
percebo que não me conheço tanto assim, quando me descubro em um novo estado ou
quando avalio de outra forma o passado.
Conheço-me quando
autentico gestos ousados ou quando já não me identifico com passos dados, nem
com versos nos quais não vejo graça ou nexo.
Conheço-me na
penitência dos erros de ontem, na esperança do amanhã e na aceitação de hoje.
Continuo o
autoconhecimento quando me abraço inteira: pétala e espinho.
Conheço-me na
perturbação que me assalta ao descobrir que a vida a pele afaga, mas também a
carne rasga.
Conheço-me quando me
assusto pela distância percorrida e quando me canso antes da partida.
Conheço-me quando a
minha face se contrai diante de outra vontade tão legítima quanto a minha.
Conheço-me quando
tento entender a realidade sem perder de vista a fé que me sustenta.
Conheço-me quando
descubro em mim razão e era tão mais fácil acreditar ser apenas emoção.
Conheço-me quando me
refaço a cada dia, integrando uma informação nova ou alcançando um ponto de
vista diferente.
Por fim, conheço-me
quando me rendo a um carinho, quando namoro o mar, quando cultivo uma flor e,
principalmente, quando sei que o processo não termina aqui.
*
Poetisa e cronista de Natal/RN
Prazer em te conhecer, Evelyne. Aprendo com prazer.
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