Adversidades
* Por
Núbia Araujo Nonato do Amaral
(Para meu pai que completou
oitenta anos no dia 10 de outubro).
Um esquecimento aqui, outro
ali. Uma perda cá e outra acolá. Uma borracha infame que não leva em conta nem
o grau de parentesco.
As feridas teimosas
que parecem caçoar da nossa persistência. Um corpo desgovernado, sem leme, sem
rumo. Os sulcos no rosto, as manchas roxas de quem se vê o tempo todo à beira
de um precipício, prestes a cair, e se fere na tentativa de amparar a si mesmo.
A tênue memória de um pudor
agora tão inútil... Vira seu Júlio daqui, agora vira de lá e ainda assim respeitamos
seus murmúrios, tentando decifrar, nesse dialeto inoportuno, um sopro de
rebeldia.
Da janela ouvimos a vida
que segue seu rumo.
* Poetisa, contista, cronista e colunista do
Literário
Claro como a luz do sol numa bela manhã. E para quê? Seu Júlio perdeu o pudor. Ah, que dor horrível! Todos se sentem violentados.
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