A Sampa que eu conheci
* Por Cecília França
Finalmente, conheci São Paulo.
Demorei vinte e três longos anos para ir à cidade que nunca dorme (embora
estivesse bastante sonolenta no último domingo). Não enfrentei uma avalanche de
pessoas no metrô e consegui assento na maioria das linhas que peguei; tive
dificuldade em encontrar um lugar onde pudesse tomar café à s sete da manhã;
e andei pela Paulista sem esbarrar em outro transeunte.
Felizmente, o sossego do domingo
não foi capaz de encobrir os principais traços da cidade, que eu ansiava por
perceber. Na Fnac, mergulhei em uma variedade de cultura tão fascinante que
perderia o dia por lá, onde também tomei o chocolate quente mais caro da minha
vida. Atravessei a avenida e olhei para trás para contemplar a grandiosidade
das sedes dos principais bancos. Me espantei com a quantidade de mendigos
na rua sem fim.
Fui abordada por aspirantes a
atores, que me ofereceram entradas "mais em conta" para peças de
teatro. Na feira de antiguidades no MASP, um lampejo da década de 50 com um
casal de cantores, a caráter, entoando um belíssimo Eu sei que vou te amar.
Como eu imaginara, uma cidade
banhada por cultura. No metrô, máquinas de fazer livros. Suas moedas se
transformam em clássicos de Machado de Assis ou Dostoievski.
Me assustei com o barulho do trem
se aproximando tão veloz quanto eu precisava e, inevitavelmente, me vi como heróis
de filmes a pular a linha segundos antes da passagem do metrô. Contrariando
minha primeira frase, não conheci, apenas estive em São Paulo. Essa
cidade oferece inúmeros enfoques e é fonte inesgotável de entusiasmo criador. E
tudo isso, sob uma fina e constante garoa.
* Jornalista
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