sábado, 5 de dezembro de 2009


Vento novo

* Por Flora Figueiredo

Estava enrolada
em teias e traças,
debaixo da escada,
lá no subsolo
da casa fechada.

Começava a tomar ares de desgraça.
Manchada do tempo,
feneciaa esperar que um dia
alguma coisa acontecesse.

Antes que se perdesse completamente,
sentiu passar um vento cor-de-rosa.
Toda prosa, espanou a bruma,
pintou os lábiose sem vergonha nenhuma
caprichou no recorte do decote.

A felicidade volta à praça
cheia de dengo e de graça,
com perfume novo no cangote.

(Do livro "Amor a Céu Aberto", Editora Nova Fronteira, 1992 - Rio de Janeiro, Brasil).

* Poetisa

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