sábado, 5 de dezembro de 2009




Existências

*Por Márcio Juliboni


Minha solidão é nostalgia de existências.
Vago entre nãodivíduos.
Pudesse a poesia ser uma pedra
que atingisse o alheio,
tal como uma certeza
que me sangrasse o supercílio...
Mas dexistências desadensam o mundo.
Quanto mais abarco, menos sinto.
E mesmo assim,
tudo em mim é pesar.
Para viver entre humânulos,
tentei des-ser.
Por leviAnos, coabitei ausências
e invejei a leveza dos rarefeitos.
Mas toneladas de intangências
Me assentam ao chão.
O que intuo me lastreia.
Por isso, dou consistência ao impalpável.
Essas lágrimas, por exemplo,
eram sumo de esperança qualquer.
Povoei o mundo com meus próprios seres.
Criando, eu rexisto.

*Jornalista, cobre Economia e Negócios no portal Exame. Trabalhou no serviço de notícias online, “Panorama Setorial”, do jornal Gazeta Mercantil, na Agência Estado e em várias revistas segmentadas. Iniciou a carreira na grande imprensa em 2000.

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