

Linhas Tortas
* Por Fábio de Lima
Escrever um livro foi ideia que tive, pela primeira vez, em 1997. Na época, eu estava com 21 anos. Foi numa viagem ao litoral paulista, refletindo sobre algumas coisas que aconteciam na minha vida, naquele momento e desde sempre, que resolvi escrever um romance. A ideia inicial era falar das opções que fazemos na vida e das consequências dessas opções para nós mesmos e para as pessoas que convivem conosco.
Em primeiro lugar, resolvi colocar no papel um resumo, em poucas linhas, umas 20, do que eu queria com o livro. Eu imaginei um livro inteiro – princípio, meio e fim – em 20 linhas. Depois escrevi umas cinco páginas do livro e parei. Sim, caro leitor amigo, eu o engavetei, o esqueci por vários anos. Um dia, insatisfeito com inúmeros projetos que comecei, na minha vida, e parei quando eles nem estavam ainda na metade, resolvi voltar ao livro. Escrevi outras cinco ou dez páginas e parei.
Somente em 2005 voltei minhas atenções novamente ao livro. Revisei o que estava escrito, modifiquei tudo, acreditando estar mais madura minha forma de escrever, e depois escrevi umas 20 páginas e parei. Em 2008 voltei ao livro e escrevi mais umas 20 páginas e parei novamente. Nessa passagem de 2008 para 2009 refleti sobre tudo que fiz na minha vida até então, no lado profissional e pessoal, principalmente. Eu dei uma encarada no espelho da vida e perguntei a mim mesmo o que queria.
Depois de repensar tudo, resolvi terminar coisas inacabadas na minha vida. Decidi que me afastaria para sempre de algumas coisas, sem olhar para trás. Decidi que iria de encontro a outras coisas e terminá-las, independentemente do que isso trouxesse como consequências para a minha vida e para a vida das pessoas que estão perto de mim. O livro foi uma dessas decisões de ir até o fim.
Minha meta agora é terminar meu primeiro livro até o final de 2010. E ele estará terminado até lá. No entanto, estou aqui pensando por que adiamos tanto algumas coisas em nossas vidas. Parece que temos medo de tomar decisões. Protelamos ao máximo. Por que tanto medo? Quem nos condicionou assim? Que futuro teremos tendo medo de nós mesmos? Que “doce desespero” é esse quando desviamos os olhos do nosso próprio olhar...? Penso que minhas linhas tortas ou não precisam de um iminente fim. É chegada a hora.
* Jornalista e escritor, ou “contador de histórias”, como prefere ser chamado. Está escrevendo seu primeiro romance, DOCE DESESPERO, com publicação (ainda!) em data incerta.
* Por Fábio de Lima
Escrever um livro foi ideia que tive, pela primeira vez, em 1997. Na época, eu estava com 21 anos. Foi numa viagem ao litoral paulista, refletindo sobre algumas coisas que aconteciam na minha vida, naquele momento e desde sempre, que resolvi escrever um romance. A ideia inicial era falar das opções que fazemos na vida e das consequências dessas opções para nós mesmos e para as pessoas que convivem conosco.
Em primeiro lugar, resolvi colocar no papel um resumo, em poucas linhas, umas 20, do que eu queria com o livro. Eu imaginei um livro inteiro – princípio, meio e fim – em 20 linhas. Depois escrevi umas cinco páginas do livro e parei. Sim, caro leitor amigo, eu o engavetei, o esqueci por vários anos. Um dia, insatisfeito com inúmeros projetos que comecei, na minha vida, e parei quando eles nem estavam ainda na metade, resolvi voltar ao livro. Escrevi outras cinco ou dez páginas e parei.
Somente em 2005 voltei minhas atenções novamente ao livro. Revisei o que estava escrito, modifiquei tudo, acreditando estar mais madura minha forma de escrever, e depois escrevi umas 20 páginas e parei. Em 2008 voltei ao livro e escrevi mais umas 20 páginas e parei novamente. Nessa passagem de 2008 para 2009 refleti sobre tudo que fiz na minha vida até então, no lado profissional e pessoal, principalmente. Eu dei uma encarada no espelho da vida e perguntei a mim mesmo o que queria.
Depois de repensar tudo, resolvi terminar coisas inacabadas na minha vida. Decidi que me afastaria para sempre de algumas coisas, sem olhar para trás. Decidi que iria de encontro a outras coisas e terminá-las, independentemente do que isso trouxesse como consequências para a minha vida e para a vida das pessoas que estão perto de mim. O livro foi uma dessas decisões de ir até o fim.
Minha meta agora é terminar meu primeiro livro até o final de 2010. E ele estará terminado até lá. No entanto, estou aqui pensando por que adiamos tanto algumas coisas em nossas vidas. Parece que temos medo de tomar decisões. Protelamos ao máximo. Por que tanto medo? Quem nos condicionou assim? Que futuro teremos tendo medo de nós mesmos? Que “doce desespero” é esse quando desviamos os olhos do nosso próprio olhar...? Penso que minhas linhas tortas ou não precisam de um iminente fim. É chegada a hora.
* Jornalista e escritor, ou “contador de histórias”, como prefere ser chamado. Está escrevendo seu primeiro romance, DOCE DESESPERO, com publicação (ainda!) em data incerta.

Fábio, a minha experiência foi oposta a sua. No dia 1º de abril de 2004 comecei a escrever o livro sobre meu filho, um hiperativo que me deu tanto trabalho que só mesmo um livro para explicar como foi difícil criá-lo. Eu estava com 47 anos e tinha pressa. Todos os dias escrevia das 21 as 22 horas e fechava o capítulo. No outro dia fazia uma releitura e arquivava. Essa falta de aparente cuidado e apuro técnico tinha um objetivo: evitar a censura. Em cinco meses as 288 páginas e os cem catitulos estavam prontos, e meses depois estava lançado. Tem muitos erros, é claro, mas não omiti um único detalhe. Como a minha cidade é média, de 350 mil habitantes, e muitos conhecem a mim e a minha família, me paravam na rua estarrecidos para dizerem não acreditar em toda a minha audácia/coragem. Isso sem contar os telefonemas. Fiz 300 livros dos quais ainda tenho menos de 50. A minha experiência foi esta. E não faria diferente. Desejo que você enfim termine o seu livro. E fique feliz com o resultado.
ResponderExcluirFábio, o depoimento de Mara é precioso. Nem tenho muito a acrescentar, ainda assim lhe digo que as linhas tortas fazem parte da estrada da vida e que seu livro ficará pronto na hora certa e lerei com prazer. Parbéns e beijos.
ResponderExcluirTudo é acervo, caro Fábio, inclusive essa longa espera. Escreva, pois, sobre ela, sobre o que sente, o que teme e o que imagina, enquanto a história empaca. Escrever sobre a impossibilidade de escrever é já fazer literatura, um monólogo interior e precioso, um momento em que grandes dúvidas e verdades incômodas, impiedosas, nos acometem, mas cuja reflexão enriquece como quê! Quanto maior o contato com as letras, maior a intimidade e, aos poucos, perde-se aquela tal distância que complica tudo e, pior, transforma a inatividade numa espécie de volúpia. Sente e escreva, todo dia, a vida inteira. Crie calos!
ResponderExcluirSó a história sobre como escrever o livro já deu uma bela de uma crônica.
ResponderExcluirCaro Fábio, você já tem vários livros escritos. Só as crônicas no Literário já dariam pelo menos uns três livros, hein ??
Beijos !
Daniel, a palavra "volúpia" caiu ótima, aliás, não caiu, ficou na página me encabulando.
ResponderExcluirÉ sempre bom concluir o que iniciamos.Antes iniciava uma leitura, parava e nunca mais voltava. Hoje faço questão de terminar tudo que iniciei, uma questão de disciplina que demorei a adquirir.
ResponderExcluirBeijo
Risomar