Pequeno
texto sobre o perdão
* Por Evelyne
Furtado
"O perdão é uma necessidade
absoluta para a continuidade da existência humana”. A frase do Bispo da Igreja
Anglicana sul-africana, Desmond Tutu, Prêmio Nobel da Paz, nos oferece a
importância do perdão para a boa convivência entre os seres humanos.
A citação, acima, está inserida no sentido macro do ato de perdoar. O Bispo
Tutu preocupa-se com toda humanidade partindo de sua experiência antiapartheid,
demonstrando, assim, a largueza do seu gesto, uma vez que ele próprio nasceu
negro em um país que praticou a segregação racial até bem pouco tempo.
As religiões judaico-cristãs pregam o perdão e uma das atitudes mais significativa nesse sentido foi o perdão do Papa João Paulo II àquele que tentou assassiná-lo. Um ato de amor e grandeza espiritual.
Da visão macro à minha visão. Em mim os ódios não frutificam. As raivas, sim. E as exponho. Já guardei umas mágoas, que me fizeram muito mal. Porém sempre busquei a libertação desses sentimentos. Não por ser superior ao outro. Mas pela minha própria paz de espírito.
Fui muitas vezes magoada e, por certo, também magoei. A impressão que tenho é que a minha dor é maior; de que eu não merecia aquele tratamento, pois sou uma pessoa conciliadora e afável. Ainda assim, eu busco o perdão.
Se quem me feriu, foi por mim amado, é questão do tempo o perdão. Refiro-me às relações mais próximas, aquelas entre familiares, amigos e amores.
Eu trabalho esse perdão e procuro alforriar a mágoa em meu peito. Na maioria das vezes consigo, ainda que nem sempre seja fácil.
O perdão é o amor
Nesse campo das emoções humanas, uma das formas mais difíceis do ato de perdoar é a prática do autoperdão. Para que eu me perdoe, preciso aceitar que errei. Assumir minha falha e entender que é essa falibilidade que me faz humana.
Se feri, conscientemente, ou não, peço perdão. Reconheço meus limites e espero. Reflito que talvez seja mais difícil pedir para ser perdoado, pois o orgulho fala mais alto, todavia, não custa exercitar e começar aceitando o erro para em seguida se dirigir ao outro, em um ato de humildade.
Quanto ao auto-perdão, que é diferente da indulgência, pratico-o todos os dias quando me reconheço menor que Deus e sinto que a misericórdia Dele é maior do que tudo que conheço.
Não almejo o púlpito ou a santidade. Estou longe de ser santa. Trato apenas da experiência de vida e de uma leitura um pouco mais ampla da difícil arte de viver. Já tomo os meus venenos diários, portanto, dispenso o rancor e me liberto através do perdão.
Ah, é importante dizer que não sou Madre Tereza, nem Irmã Paula, portanto, não batam muitas vezes. Não oferecerei a outra face muitas vezes.
* Poetisa e cronista de Natal/RN
Saber dosar a humildade e o amor-próprio em boas bases é para os sábios.
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