Por que os
trabalhadores ilegais são bem-vindos?
Por Talis Andrade
Por que os Estados
Unidos da América do Norte recebem os retirantes das guerras de secessão, os
parias dos sistemas de castas, e perdidas tribos perseguidas pelas quatro
bestas do Apocalipse? Gente que notadamente os brancos consideram a escória da
humanidade e impuros de sangue?
Fácil de explicar. O
negro estadunidense recusa realizar os antigos serviços destinados aos
escravos. E os estrangeiros, naturais das nações do Sul, são para a América do
Norte os novos escravos. Ou melhor continuam sendo os escravos do Império.
Esta necessidade de
braços para o trabalho pesado, os serviços considerados desonrosos, faz com se
permita a passagem dos estrangeiros. São impedidos de entrar os que praticaram
crimes nos países de saída ou suspeitos de pertencerem a organizações
criminosas: do terrorismo ao tráfico de drogas, e os doentes, notadamente os
aidéticos.
A nação do Grande Irmão
possui, principalmente depois da derrubada das duas torres, a mais avançada
tecnologia de vigilância. Não passa nem o Homem Invisível. Nem fantasmas para
baixarem em sessões espíritas.
Por que milhões de
clandestinos conseguem “violar” as barreiras militares? Deixo a resposta para
os professores Milton e Rose Friedman: a entrada de imigrados, legais ou
clandestinos, cria novas riquezas, e faz subir em valor os trabalhadores
americanos na hierarquia dos empregos.
Os irmãos Friedman, que
idealizaram a política econômica de Reagan, lamentaram profundamente que o Congresso
dos Estados Unidos tenha adotado, em 1987, uma lei interditando o emprego dos
trabalhadores “ilegais”.
Os Friedman consideram
que vale mais para os Estados Unidos um trabalhador ilegal, pois se está seguro
de que veio para trabalhar efetivamente, do que um trabalhador legal que não
procura outra coisa senão se aproveitar das ajudas sociais do Estado.
A teoria dos Friedman
prevaleceu. Hoje, Tio San está convencido que o Welfare State atrai imigrantes
que pretendem se beneficiar do Estado, e sendo assim prefere o ilegal que
aceita qualquer emprego e salário, embora isso crie uma rede de traficantes de
carne humana, com todas suas mazelas: assassinatos, assédios moral e sexual,
uma vida clandestina de milhões de pessoas que são tratadas como subumanos ou
animais. Trabalhadores que produzem riquezas e não custam um tostão à
previdência social do Tio Sam.
* Jornalista, poeta,
professor de Jornalismo e Relações Públicas e bacharel em História. Trabalhou
em vários dos grandes jornais do Nordeste, como a sucursal pernambucana do
“Diário da Noite”, “Jornal do Comércio” (Recife), “Jornal da Semana” (Recife) e
“A República” (Natal). Tem 13 livros publicados, entre os quais o recém-lançado
“Romance do Emparedado” (Editora Livro Rápido) e outros à espera de edição.
Uma visão bastante dura e que tem grande possibilidade de ser a correta, pois está coberta de lógica.
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