Bênçãos
Por Raul Longo
Se fosse Deus,
por mera magnanimidade
abençoaria algo em ti,
Mulher.
Abençoaria, talvez...
teu sorriso.
Não o dos lábios,
que por menores
sempre se fazem razão
maior
de meus desejos...
Mas a luz do sorriso
de teus olhos.
Ou, quem sabe,
abençoasse
essa tua luz, Mulher.
Não a que intumesce
teu ventre e em ti se
desenvolve
até que venha afora.
E já no primeiro instante
da vida
bale pela ausência de teu
calor...
Mas sim a luz que
infiltra
entre teus cabelos
e desenha em teu corpo
a silhueta dos meus
anseios.
Provável fosse excesso
de amor paternal,
mas poderia abençoar
também...
tuas mãos.
Não apenas as que me
afagam
e perdoam,
nem só as que me
acarinham
e apóiam.
Também não as que me
estimulam
e excitam...
Mas principalmente as que
mostram o que me esconde
a vaidade
de ser tão Deus...
que não há uma amiga em
minha solidão,
não há uma mãe em minha
improbabilidade.
Não há qualquer prazer em
minha pretensa infinidade.
Se fosse Deus,
talvez em nada te
abençoaria
Mulher,
pois por tua ausência...
me suicidaria.
E é por essa certeza que
em mim
se confirma a teoria
de que...
Se fosse Deus,
homem não seria.
* Poeta, jornalista e escritor
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