No alto, sala dos alunos do ITER. Crucifixo de
madeira ao lado do retrato de Che Guevara (foto do autor, ano/84). Embaixo,
crucifixo entre os retratos de Jesus Cristo e Che Guevara (foto de Maura
Correia, ano/1984).
Liberdade
de Expressão
* Por José Calvino
“... Mas
o desespero é tamanho, que
quando
sonhei, pensei que estavam
mijando
petróleo.”
Joseph Ratzinger (o papa Bento XVI) renunciou ao
papado declarando que o fazia “pelo bem da igreja”, mas será que não foi por
ter dito ao clero que “estariam instrumentalizando Deus”? Me veio à memória o
caso do padre Vito Miracapillo expulso do Brasil por vários motivos, entre eles
por questionar a “não independência do povo”, quando em 1980 recusou-se a
celebrar a missa de 7 de setembro. Na ditadura militar teve padres enquadrados
na Lei de Segurança Nacional, que envolveu Estado & Igreja, povo e
autoridades civis e militares. O ex-padre Reginaldo Veloso, por exemplo, autor
do hino “Vito, Vito, Vitória”, em homenagem ao padre italiano, no ano de 1989,
foi suspenso das funções sacerdotais pelo então arcebispo de Olinda e Recife,
dom José Cardoso Sobrinho. Ex-Pároco do Morro da Conceição, Reginaldo foi
punido por não seguir o pensamento da igreja no estilo romano, mais
centralizada em sua hierarquia e que orientava que padres não se envolvessem
politicamente. Em solidariedade ao religioso, os fiéis tomaram a chave da
igreja cantando:
“ A chave, a chave, a chave eu não dou, a chave é
de Pedro que é pescador...”
E foi preciso a polícia intervir, uma vergonha! Na
verdade, até hoje não vejo organização nenhuma que lute pelo estado laico e
pela separação efetiva entre governo e religião.
Quando publiquei o meu terceiro livro “ O Cristo
Mulato”(1982) ele não agradou, é claro, nem ao governo militar, nem à igreja.
Nele, eu mencionava: “(...) Se o povo soubesse a força que tem, ah! Só bastaria
a metade daquele povo que acompanha o Clube Carnavalesco ‘O Galo da Madrugada’,
que sai do Recife nos carnavais arrebanhando uma multidão incalculável, para se
rebelar contra este desgoverno...” Fiz também diversos trabalhos no ITER
(Instituto de Teologia do Recife), extinto em setembro de 1989, por decisão do
Vaticano! O instituto foi acusado, pelos setores mais conservadores da Igreja,
de adotar a linha marxista e era voltado à formação com base na Teologia da
Libertação. O ITER foi criado em 1968, não agradando à “Santa Inquisição”.
Não pretendo aqui escrever uma obra teológica ou
tomar partido em conflitos religiosos, mas jamais poderei ser privado de minha
liberdade, pois estou escrevendo universalmente com ousadia “Jesus”. Sem medo,
sempre denunciei as injustiças sociais.
Domingo, 17 do corrente, houve um evento promovido
nacionalmente pela Sociedade Livres Pensadores, em Olinda, pregando a maior
integração entre os que vivem o livre pensamento, o respeito, a liberdade de
expressão, etc. Com entrada franca, aproveitei o ensejo e fui distribuir
gratuitamente 50 livretes da dita obra. Pasmem com o que aconteceu! Na ocasião,
fui impedido de exercer meu direito democrático de divulgar meu trabalho por
ateus ignorantes e preconceituosos igualmente ou talvez pior do que alguns
grupos religiosos. A decepção foi grande. E ainda dizem que são discriminados.
Eu, hein?!
* Escritor, poeta e teatrólogo.
Blog Fiteiro Cultural –http://josecalvino.blogspot.com/
Sou católica, mas gostei Calvino. Eles sempre cometem os mesmos erros alienantes. Ignoram, ou não se interessa pelos problemas da sociedade e do país, não se preocupando com o que ocorre à sua volta.
ResponderExcluirBom final de semana.
Beijos José Calvino
O mais comum é as pessoas que gostam de fazer longos discursos religiosos não suportarem ouvi-los, especialmente quando são opostos ao seu pensamento. O ateu é discriminado, execrado ao limite, porém faz uma pregação de ódio às religiões de forma tão contundente, que acaba agindo pior do que os seus radicais. Falou bem, Calvino.
ResponderExcluirOBG, Mara, Pedro e Dilma.
ResponderExcluirBom final de semana para todaos!
Abração do,
José Calvino
RecifeOlinda