terça-feira, 8 de dezembro de 2009




Destino

* Por Evelyne Furtado


A que saiu de casa não foi a mesma que entrou na igreja. Tampouco foi a que de lá saiu com a pele em brasa sob o sol displicente com seus ombros, que encolhiam à medida que ela se aproximava da esquina com a palavra “destino” escrita na placa.

Por baixo do vestido sem cor definida ela suava. Mãos frias, coração quente, amor ardente, dizia sua avó, de quem ela lembrava ao desviar dos rostos que pareciam acusá-la daquela alegria antecipada.

A que voltou era tão misturada que nem ouso descrever. Sei que subiu aos saltos os degraus da entrada e que trazia entre os lábios o gosto entre o doce e o amargo das saudades jamais saciadas.

* Poetisa e cronista de Natal/RN

4 comentários:

  1. Você deu ao seu texto uma suavidade
    tão grande que o "destino" parece não ter peso.
    Adorei
    Beijos

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  2. Belíssimo retrato da dualidade de nós todos, da briga entre Eros e Tanatos. Um beijo grande e parabéns por mais este.

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  3. Que misterio...O que aconteceu com ela entre a saída de casa e a volta?
    Beijos

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  4. Toda essa modificação implica num encontro amoroso/sexual. O tempo deixa de existir. Todos notam a mudança, mas a interessada acha que continua em segredo.

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