sexta-feira, 11 de dezembro de 2009




Criação II

* Por Solange Sólon Borges

Eu sobrevivera. Com os fragmentos do mistério indelével. O ar que respiro, ensangüentado. O turbilhão sem fim em chamas insanas. O exército de serpentes que roem – cerimoniosamente – a fragilidade que já foi eterna.

Basta contemplar a corda tensa do instrumento que ameaça dividir-se a cada nova aproximação amorosa da morte em perspectiva para compreender o que é a metamorfose: as verdades não formam conjunto algum, embaraçadas. Não sou mais frágil. Sou intensa: uma peça musical.

* Jornalista, dedica-se a diversos gêneros literários. Entre outras atividades, atua em alguns programas “O prefácio”, sobre livros e literatura. Um deles é o programa Comunique-se, levado ao ar pela TV interativa ALL TV (2003/2004). Apresentou, também, “Paisagem Feminina”, pela Rádio Gazeta AM (1999), além de crônicas diárias na Rádio Bandeirantes e na Rádio Gazeta — emissoras das quais foi redatora, repórter, locutora e editora.

2 comentários:

  1. A vida nos empurra para uma mutação
    diária, talvez para nos protegermos.
    Mas, a essência está intacta...
    Adorei.
    beijos

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  2. " O ar que respiro ensanguentado". Dolorido e intensamente belo.

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