

Hotel familiar e comida caseira
* Por Seu Pedro
Comecei a observar, em minhas viagens, as placas de fachada de hotéis e restaurantes de classe média. Digo classe média porque pobre não fica em hotel e nem se alimenta em restaurante, além de que a média já anda de pires na mão. Nelas, nas placas, invariavelmente há um alerta com ar de discriminação: “Hotel Familiar”. Ou ainda: “Comida Caseira”. Neste caso, a discriminação parece direcionada aos hotéis de pobres, que limitados nos recursos, não têm como pagar uma diária e ficam apenas duas horas. Também devem sentir discriminação os hotéis estrelados, uma vez que nenhum recepcionista fica perguntando o que farão ou em quais posições dormirão os hóspedes. Entre quatro paredes e porta fechada, há casos que têm que fechar a janela. Cada um satisfaz o seu desejo.
Os hotéis “familiares” não justificam tal título, uma vez que, ao se viajar, seja a negócios, seja por turismo, seja por tratamento médico – o que chamo de turismo hospitalar – não levamos os familiares. Os féis aos seus princípios pensam na família distante, para não sentirem a solidão entre quatro paredes. Em muitos casos, os porteiros se tornam psicólogos ou assistentes sociais. É interessante perceber: hotel acima de duas estrelas tem recepcionistas e os “nublados” são porteiros que de vez em quando fazem papel de faxineiros, camareiros, seguranças, e outros. São funcionários multifuncionais, e não acrescentam dez por cento na nota. Aliás, nem nota dão. É toma a chave e dá o dinheiro.
As “comidas caseiras” também não se justificam serem assim anunciadas, até porque nunca se vê “comida rueira”. Nem se percebe algum fogão aceso pelas ruas ou calçadas. A exceção é se algum caminhoneiro tenha armado, pendurada na carroceria, a sua cozinha volante, e esteja preparando um arroz carreteiro ou outro saboroso e apetitoso prato, que não poucas vezes supera o sabor e a higiene de certos “restaurantes caseiros”, em que o freguês não enxerga a cozinha e nem sabe se as folhas usadas na salada foram bem lavadas. Eu, particularmente, já encontrei uma pequena lagarta em uma folha de alface. Imaginem quantos já consumiram coliformes fecais sem sabê-lo!
Eu sou fã da comida de minha casa. As das ruas e esquinas eu dispenso. Vou a um supermercado, compro pão, biscoitos e queijos e, no quarto do hotel, me satisfaço com a refeição de minhas próprias mãos.
Sobre alimentos há, sim, algo “rueiro” que eu saboreava com todo prazer: os acarajés das tradicionais baianas. Mas até acontecer o dia em que identifiquei diabetes em mim. Nada contra o azeite de dendê, e nem contra os acarajés das baianas que, laboriosas, produzem tais iguarias. Não consumo os saborosos bolinhos de feijão fradinho, muito plantado na região em que moro, pois sabe-se o risco de morte que correria.
Também deixei de comer pequi, a “carne do sertanejo”. Nem mais preparei para os amigos o arroz com pequi à minha moda, com a qual fui premiado no segundo lugar na “6ª Festa Nacional do Pequi”, no quinto concurso de cozinheiro deste fruto oleaginoso, em 1994, em Montes Claros, Minas Gerais.
Comida é coisa importante. É a saúde em jogo. Por isto, o consumidor deve saber o que está comendo em um restaurante comum ou em hotel popular, e até num cinco estrelas. Prevenir é melhor do que tomar remédios para o estômago.
(*) Seu Pedro é o jornalista Pedro Diedrichs, editor do jornal Vanguarda, de Guanambi, Bahia.
* Por Seu Pedro
Comecei a observar, em minhas viagens, as placas de fachada de hotéis e restaurantes de classe média. Digo classe média porque pobre não fica em hotel e nem se alimenta em restaurante, além de que a média já anda de pires na mão. Nelas, nas placas, invariavelmente há um alerta com ar de discriminação: “Hotel Familiar”. Ou ainda: “Comida Caseira”. Neste caso, a discriminação parece direcionada aos hotéis de pobres, que limitados nos recursos, não têm como pagar uma diária e ficam apenas duas horas. Também devem sentir discriminação os hotéis estrelados, uma vez que nenhum recepcionista fica perguntando o que farão ou em quais posições dormirão os hóspedes. Entre quatro paredes e porta fechada, há casos que têm que fechar a janela. Cada um satisfaz o seu desejo.
Os hotéis “familiares” não justificam tal título, uma vez que, ao se viajar, seja a negócios, seja por turismo, seja por tratamento médico – o que chamo de turismo hospitalar – não levamos os familiares. Os féis aos seus princípios pensam na família distante, para não sentirem a solidão entre quatro paredes. Em muitos casos, os porteiros se tornam psicólogos ou assistentes sociais. É interessante perceber: hotel acima de duas estrelas tem recepcionistas e os “nublados” são porteiros que de vez em quando fazem papel de faxineiros, camareiros, seguranças, e outros. São funcionários multifuncionais, e não acrescentam dez por cento na nota. Aliás, nem nota dão. É toma a chave e dá o dinheiro.
As “comidas caseiras” também não se justificam serem assim anunciadas, até porque nunca se vê “comida rueira”. Nem se percebe algum fogão aceso pelas ruas ou calçadas. A exceção é se algum caminhoneiro tenha armado, pendurada na carroceria, a sua cozinha volante, e esteja preparando um arroz carreteiro ou outro saboroso e apetitoso prato, que não poucas vezes supera o sabor e a higiene de certos “restaurantes caseiros”, em que o freguês não enxerga a cozinha e nem sabe se as folhas usadas na salada foram bem lavadas. Eu, particularmente, já encontrei uma pequena lagarta em uma folha de alface. Imaginem quantos já consumiram coliformes fecais sem sabê-lo!
Eu sou fã da comida de minha casa. As das ruas e esquinas eu dispenso. Vou a um supermercado, compro pão, biscoitos e queijos e, no quarto do hotel, me satisfaço com a refeição de minhas próprias mãos.
Sobre alimentos há, sim, algo “rueiro” que eu saboreava com todo prazer: os acarajés das tradicionais baianas. Mas até acontecer o dia em que identifiquei diabetes em mim. Nada contra o azeite de dendê, e nem contra os acarajés das baianas que, laboriosas, produzem tais iguarias. Não consumo os saborosos bolinhos de feijão fradinho, muito plantado na região em que moro, pois sabe-se o risco de morte que correria.
Também deixei de comer pequi, a “carne do sertanejo”. Nem mais preparei para os amigos o arroz com pequi à minha moda, com a qual fui premiado no segundo lugar na “6ª Festa Nacional do Pequi”, no quinto concurso de cozinheiro deste fruto oleaginoso, em 1994, em Montes Claros, Minas Gerais.
Comida é coisa importante. É a saúde em jogo. Por isto, o consumidor deve saber o que está comendo em um restaurante comum ou em hotel popular, e até num cinco estrelas. Prevenir é melhor do que tomar remédios para o estômago.
(*) Seu Pedro é o jornalista Pedro Diedrichs, editor do jornal Vanguarda, de Guanambi, Bahia.

Gosto desta linha de escrita, bem próxima do leitor, de facil entendimento por ser do corriqueiro sem abandonar a ética, a seriedade e com uma dose ás vezes pequena de HUMOR, mas que sempre presente na narrativa do caro jornalista-editor, amigo e orientador de quem dele se aproxima, de qualquer maneira.
ResponderExcluirUm grande abraço a este e a todo o JORNAL.