sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Melhor que seja dito logo

* Por Fernando Yanmar Narciso

Muito boa noite, senhoras e senhores de todo o Brasil. Chegamos à reta final do 1º turno das eleições e, na categoria de mediador do último debate entre os candidatos à Presidência da República gostaria de, em nome do povo brasileiro, direcionar algumas considerações iniciais a vocês, candidatos. Peço, por favor, que não intervenham e me ouçam até o fim.

Para início de conversa, devo tirar do peito uma dúvida que provavelmente incomoda a todos. Quem os senhores e senhoras, candidatos, crêem estar enganando? Entre vocês, ninguém merece carregar a faixa presidencial pelos próximos quatro anos, e sabemos que sentem isso no fundo de suas almas. Após dois meses boxeando em rádio, TV e na internet, os eleitores já se deram conta. O que importa a vocês é a vitória pessoal, a vitória da vaidade, e não o bem da Nação.

Estamos numa eleição para a Presidência da República, o cargo máximo do país. Aquele que tem a missão de unir o povo em torno de um objetivo em comum e cuidar para que gerações futuras tenham as mesmas ou melhores condições que a atual. Mas o que ocorre é o exato oposto da utopia. Tamanha é a ambição por vencer a disputa que acabaram se esquecendo do principal: Trazer novidades ao eleitor.

O povo tem medo de perder o que já conquistou nos últimos anos, e os adversários logo trataram de garantir que não acabarão com nenhum dos atuais programas sociais. Uma decisão justa de parte deles, no entanto não se preocuparam em propor programas maiores, melhores ao eleitor, não lhes deram oportunidade para sonhar com avanços. A pergunta que não sai de nossa cabeça é “Se nada vai mudar ou melhorar com vocês no poder, por que deveríamos votar em vocês?”

Assim como os artistas, políticos são mercadores de sonhos. O sonho de uma educação de qualidade, de ruas mais seguras, saneamento básico, honestidade, melhores empregos, economia forte... Entretanto, por vários anos a única coisa que políticos têm despertado no eleitor é repulsa. Como esperar que os jovens cresçam e se interessem por política se desde sempre os pais ensinam que todo político é corrupto, bandido e desavergonhado, e que ganhamos mais se não nos misturarmos com essa gentalha?

Um presidente, um estadista, é eleito para liderar, para inspirar a população. É o nosso representante maior diante dos olhos do mundo. Em palavras mais simples, as pessoas devem olhar para o presidente e enxergar nele o Brasil. Porém, chega a época das eleições e o que vemos? Propostas zero, denúncias mil. O brasileiro já está vacinado contra rusgas entre candidatos, quer saber o que os planos de governo de vocês têm a nos oferecer, não quer mais saber dessas criancices de uns ficarem pisando nos calos dos outros. Ansiamos por uma nova forma de fazer política, por políticos que realmente estejam empenhados em alavancar o país a um futuro brilhante.

O desenvolvimento é uma estrada de mão dupla onde todos devem fazer sua parte. Não basta apenas denunciar o político corrupto, julgá-lo e prendê-lo, ele também precisa ter uma oportunidade de se redimir. De que adianta investir na saúde e construir hospitais modernos se os médicos continuarem a tratar os pacientes como lixo? De que adianta investir na educação, construir centenas de escolas e desenvolver material didático de qualidade se o aluno não tiver vontade de aprender e o professor não tiver vontade de ensinar? De que adianta renovar presidentes, governadores, senadores e deputados a cada quatro anos se eles não farão nenhuma mudança radical no status quo?

Termino as considerações iniciais com outra pergunta: Como é o Brasil onde vocês, candidatos, se orgulhariam em viver? Entregar um país melhor, democrático e mais justo a gerações futuras cabe aos eleitores e aos eleitos, não dá para fazer um lado trabalhar por dois. Portanto, esperamos que os novos mandantes da nação, a partir do próximo ano, não percam os laços com o seu povo, por menores que sejam. E que venham dias melhores para todos nós...

Podemos começar o debate!

* Escritor e designer gráfico. Contatos:
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