O ruído
* Por
Cida Pedrosa
As mãos a tesoura a
seda roçando seu braço os fiapos de linha caindo na sua cabeça e ela
esparramada no chão aos pés da mãe brincando com retalhos e bonecas de pano sem
peito. Os pés cheios de veias o pedal hipnótico a carretilha girando em frenesi
o ruído que a embalava para além das cores do tecido e as horas do dia.
As mãos o papel o
cheiro de tinta roçando o nariz os olhos
grudados no texto as letras pairando no espaço e ela esparramada no chão aos
pés da irmã fazendo a tarefa de ciência
a lápis grafite e sem o livro com as gravuras do corpo. Os dedos cheios
de veias o cilindro hipnótico as teclas saltando em frenesi o ruído que a
embalava para além das palavras datilografadas e as horas do dia.
As mãos a luz do abajur
a almofada de seda roçando no corpo o poema lido e postado ao lado e ela
esparramada no chão aos pés do amante de pernas abertas penetrando a si mesma.
O pênis cheio de veias o movimento hipnótico o gozo derramado em frenesi sobre
o seu rosto e o ruído do vibrador
embalando-a para além dos gemidos e as horas do dia.
*
Poetisa e vereadora no Recife
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