Brinquedo
*Por Assionara Souza
— Vamos. Dance. Pode
dançar (voz da Elis Regina cantando Me deixas louca) Isso. Dance. Como um deus
silencioso. Sobre os meus pensamentos. Toque os seus — mimosos? — não, eu não
queria usar mimosos.
Agora me lembrou
Iracema. Voz da Elis de novo: "Me lembrou — troca Carlitos por Iracema,
forçando a métrica. Voltemos, como se nada tivesse acontecido. Como se você nem
eu — esta segunda pessoa do plural que somos nós estivéssemos, ainda, pensando
em Elis.
Toque os seus…
delicados? — putz, "delicados" inflaciona. — volta o graciosos? Será?
Não. Pior. Toque seus imaculados pés no rés do chão de meus pensamentos. Venha.
Dance. Mas não cante. Quero antes o silêncio.
Seria bom se você
chovesse. Seria bom se ouvíssemos uma valsa. Ou mesmo um fado. Dance. Deslize
adorável — sobre a cor do cavalo branco de Napoleão.
"Qual é?"
— Branco?
— Errou. De Napoleão,
seria a resposta.
E fui eu que inventei a
brincadeira. Logo, sou eu que instituo as regras. Imponho as regras. Empunho a
bandeira desse país chamado… 1, 2, 3... Já: "Você é o comandante de um
navio. Nesse navio há 40 escotilhas. Através de cada escotilha, podem-se ver 2
mesas, sobre as quais se encontram bem estendidas finas toalhas bordadas. Em
cima delas, 1 vaso dentro de cada qual ajeita-se 1 ramalhete. Formam-se estes
de 12 flores bem amarradas, cujas pétalas soma para cada exemplar 6 unidades.
Sobrevoando 5 flores de cada vaso, asambulam 12 moscas. Atenção, agora: Quem é
o comandante desse navio?"
— O cavalo branco de
Napoleão!
— Você acertou! Isso
não é genial?! Você é o máximo, cara. Mas só porque a brincadeira é minha.
Puxa! Estou emocionado. Vamos! Suba aqui no traseiro do meu cavalo e vamos
achar algum lugar para comemorar!
* Escritora
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