E a Síria?
* Por
Paulo Reims
A tão propalada
primavera árabe, que aos poucos está caminhando para um inverno rigoroso e
persistente, pois é exatamente isto que vão provando os desdobramentos, levou
alguns opositores do governo sírio a iniciar, em março de 2011, uma revolta com
o objetivo, não muito confiável, de derrubar o presidente daquele país, que
mantinha uma economia estabilizada.
A iniciativa se
transformou em uma guerra civil que já levou muita destruição, violência, e ao
redor de cem mil pessoas mortas. Mas o que tem por trás de tudo isso, quem
mantém esta guerra civil? Como sempre os Estados Unidos, sob a maquiagem de
protetor dos povos e nações, quer impor sua liderança ao mundo a qualquer
preço, especialmente àquelas nações com muitas riquezas naturais, para poder
explorá-las à sua maneira.
A Síria é rica em
petróleo e gás natural; mais que isso, ela é ponto estratégico para poder
invadir também o Iran. Portanto, dominada a Síria, vão em busca da próxima
vítima tão deseja.
Foi assim que invadiram
o Afeganistão em 2001, para depois invadirem o Iraque em 2003, sob o pretexto
de que Sadam Hussein dispunha de armas de destruição em massa, nunca
encontradas. Só encontraram as riquezas naturais do povo iraquiano.
E desta forma vão
levando guerra sobre guerra à guisa de proteção, como se não soubéssemos que
violência gera violência, e que seus objetivos visam aumentar seu capital e
poderio bélico.
Aos Estados Unidos se
aliam as suas colônias da União Europeia e outros países, cujos dirigentes
dobram seus joelhos ao odiado e amado Tio Sam.
Já no ano de 2006, os
EUA tentaram derrubar o presidente sírio, com a ajuda de seus assessores mais
próximos, segundo informação divulgada pelo Wikileaks, obtida na embaixada dos
Estados Unidos em Damasco.
São dois anos de sofrimentos
do povo sírio, ao qual os EUA quer atacar militarmente, a partir do dia 29/08.
O motivo dado para o ataque é o de que o governo sírio teria usado armas químicas, no último dia 21/08, quando centenas de pessoas morreram vitimadas por elas. Os dirigentes ocidentais aceitaram a denúncia dos ‘rebeldes’ de que o governo sírio foi quem lançou as armas químicas. A denúncia foi feita antes que se iniciasse o recolhimento das provas.
O que pensar disso? Que
também os ‘rebeldes’ possam ter lançado as armas químicas? Existem grandes
possibilidades de eles terem agido assim, a mando dos seus arregimentadores,
para depois incriminar o governo sírio, e ter motivo para uma ação militar
imediata, talvez sem autorização da ONU.
E os tiros nos carros
dos agentes da ONU que foram até o local do lançamento das armas químicas? Quem
pode garantir que não foram os ‘rebeldes’ que agiram assim para amedrontá-los a
fim de que recuassem para não obter as provas contra eles mesmos?
Mas quem são estes
‘rebeldes’? Como vimos, são pessoas da própria Síria, contrárias ao governo, e
que querem o poder para si, juntamente com outras pessoas arregimentadas pelo
imperialismo estadunidense, em outros países árabes, e outros, que buscam junto
com os EUA e seus comparsas as vantagens oriundas destes atos terroristas. Sim,
são mercenários que estão aí para enfrentar qualquer situação, matando por todo
lado, desde que tenham o seu quinhão. Entre os ‘rebeldes’ existem também os
incautos, obtusos e inocentes úteis. São mantidos economicamente, e com armas,
pelos EUA e seus aliados.
É interessante dizer
aqui que a manifestação orquestrada pela direita fascista, com o aval e apoio
da CIA, para o próximo dia 7 de setembro, no Brasil, tem um pouco de semelhança
com os grupos que iniciaram a desditosa primavera árabe.
É preciso pensar
bastante antes de aderir a esta manifestação. Você já pensou que esta pode ser
uma forma de estar colaborando para o início de uma guerra civil, que pode
culminar com uma intervenção militar, que muito sangue inocente pode ser
derramado, e que seu sonho pode se transformar num pesadelo longo? Não sou
contra as manifestações, muito pelo contrário, mas há manifestações e
manifestações... Mesmo entre as manifestações sérias há infiltrados. Muita
cautela...
O fato é que se os EUA
e seus vassalos atacarem mesmo a Síria, um revide haverá, com consequências
funestas imprevisíveis.
O correto é deixar os
agentes da ONU fazerem suas investigações e constatações in loco, e se
ficar comprovado o uso de armas químicas, que sejam punidos os responsáveis, do
governo ou dos ‘rebeldes’.
A despeito de tudo,
lembremo-nos sempre de que toda guerra é estúpida. É precisar dar lugar ao
diálogo sincero, às negociações honestas, que visem o bem dos povos e a paz
entre as nações.
*
Jornalista
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