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Sexo por telefone
* Por Celamar Maione
Verão. Tarde de domingo. Três amigas conversam na areia da praia de Ipanema, em frente à Rua Vinícius de Moraes. Lidiane bebe seu refrigerante, quando Maria Alice fala empolgada :
- Vai ser hoje. Estou morrendo de curiosidade!
- Sexo por telefone? Qual é a graça?
Maria Alice responde ironicamente:
- Vou fazer e depois conto tudinho, tá bom assim?
Para as duas não discutirem, Regina Lúcia tenta mudar o rumo da conversa:
- Maria Alice há quanto tempo Jorginho está na Bahia?
- Um mês . Volta daqui a duas semanas. Isso se a empresa não inventar outro curso.
- Já sei! Já sei!
- Que susto, Lidiane! Sabe o quê?
- Faz sexo virtual. Se tiver uma webcam melhor ainda.
- Só se for na lan house do hotel com todo mundo olhando.
Acabaram rindo e encerraram o assunto chamando o vendedor de mate. Saíram da praia no início da noite. Maria Alice estava excitada com a idéia de fazer sexo por telefone. Seria a primeira vez. Se preparou especialmente para o momento. Depois de um longo banho, colocou o perfume preferido do namorado e escolheu uma camisola sensual. Quando o telefone tocou, andava ansiosa de um lado para o outro á espera da ligação:
- Jorginho?
- Oi , minha linda!
- Que saudade , meu lindo! Pensei muito em você hoje.
- Eu também. Estudava e pensava no que íamos fazer à noite. Está pronta?
- Sim. Quem começa?
- Como foi seu dia?
- Já começou?
- Não, linda , só quero saber o que você fez de bom. Foi à praia?
- Fui com a Lidiane e a Regina Lúcia. Comentei com elas sobre nossa aventura.....
Foi interrompida por Jorginho :
- Contou para elas sobre o sexo por telefone?
- Qual o problema?
- Tudo você conta pra elas? Isso é coisa só nossa.
- Elas me conhecem há tantos anos . Não temos segredos....
- É chato, Maria Alice. Não vou ter coragem de olhar para a cara das suas amigas. No dia que eu broxar você também vai contar pra elas?
- Deixa de bobagem. Esquece. Vamos começar? Estou excitada .
- Muito ou pouco?
- Muito. Sua voz está super sensual .
- Estou fazendo essa voz só pra você, minha linda.
- Nossa, me arrepiei toda agora.
- Queria estar aí para ver. Estou morrendo de vontade de pegar....
Maria Alice cortou a conversa :
- Jorginho, me lembrei de uma coisa: você comprou o azeite de dendê que minha mãe pediu? Se você esquecer ela vai falar pra caramba!
- Pô Maria Alice, isso é hora de lembrar de azeite de dendê? Cortou meu tesão.
- Desculpe, é que eu fiquei com medo de não lembrar depois. Ela já me ligou hoje cobrando.
- Não comprei, mas vou comprar. Pode deixar.
- Anota na sua agenda. Não me esquece esse azeite!
-Tá bom. Agora vamos começar. Essa ligação vai ficar cara demais.
- Estou esperando. Começa .
- Você me deixou perdido. Estava indo tão bem. Ia começar e você veio com essa história de dendê.
- Desculpe, já disse. Foi sem querer.
- O problema é concentrar novamente. Sexo é cabeça.
- Vai, amor , você consegue. O que eu preciso dizer para você ficar excitado?
- Me chama de cachorrão.
Maria Alice faz uma voz melosa para impressionar o namorado:
- Vem meu cachorrão. Late pra mim, late.
- Sacanagem! Latir, Maria Alice?!
- Exagerei. Desculpa. Vamos tentar mais uma vez..
- Tá. Se dessa vez falhar , a gente desiste. Combinado?
-Combinado. Quem começa?
- Você.
- Eu? O que é que eu vou falar?
- Que falta de imaginação!.Alguma coisa romântica.
- Não, Jorginho. Começa você.
- Desligou o celular? Não quero ser interrompido pelo toque de celular.
- Tá desligado. E o seu?
- Também. Vou começar. Concentração. Qual é a cor da sua calcinha?
O interfone toca insistentemente.
- Jorginho, o interfone está tocando. Quem pode ser a essa hora?
- Não atende.
- Não pára de tocar. Péra aí, vou ver.
Era o porteiro:
- Dona Maria Alice, o apartamento 202 está pegando fogo. Os bombeiros estão evacuando o prédio.
- Pegando fogo? Fooogooo?
Desceu de camisola. No telefone, Jorginho gritava:
- Maria Alice, ei, você está aí? Fala, o que aconteceu? Maria Aliiiiiiiccceeeeeeee...
*Radialista e jornalista, trabalhou como produtora, repórter e redatora nas Rádios Fm O DIA, Tropical e Rádio Globo. Foi Produtora-Executiva da Rádio Tupi. Lecionou Telemarketing, atendimento ao público e comportamento do Operador , mas sua paixão é escrever, notadamente poesias e contos.
* Por Celamar Maione
Verão. Tarde de domingo. Três amigas conversam na areia da praia de Ipanema, em frente à Rua Vinícius de Moraes. Lidiane bebe seu refrigerante, quando Maria Alice fala empolgada :
- Vai ser hoje. Estou morrendo de curiosidade!
- Sexo por telefone? Qual é a graça?
Maria Alice responde ironicamente:
- Vou fazer e depois conto tudinho, tá bom assim?
Para as duas não discutirem, Regina Lúcia tenta mudar o rumo da conversa:
- Maria Alice há quanto tempo Jorginho está na Bahia?
- Um mês . Volta daqui a duas semanas. Isso se a empresa não inventar outro curso.
- Já sei! Já sei!
- Que susto, Lidiane! Sabe o quê?
- Faz sexo virtual. Se tiver uma webcam melhor ainda.
- Só se for na lan house do hotel com todo mundo olhando.
Acabaram rindo e encerraram o assunto chamando o vendedor de mate. Saíram da praia no início da noite. Maria Alice estava excitada com a idéia de fazer sexo por telefone. Seria a primeira vez. Se preparou especialmente para o momento. Depois de um longo banho, colocou o perfume preferido do namorado e escolheu uma camisola sensual. Quando o telefone tocou, andava ansiosa de um lado para o outro á espera da ligação:
- Jorginho?
- Oi , minha linda!
- Que saudade , meu lindo! Pensei muito em você hoje.
- Eu também. Estudava e pensava no que íamos fazer à noite. Está pronta?
- Sim. Quem começa?
- Como foi seu dia?
- Já começou?
- Não, linda , só quero saber o que você fez de bom. Foi à praia?
- Fui com a Lidiane e a Regina Lúcia. Comentei com elas sobre nossa aventura.....
Foi interrompida por Jorginho :
- Contou para elas sobre o sexo por telefone?
- Qual o problema?
- Tudo você conta pra elas? Isso é coisa só nossa.
- Elas me conhecem há tantos anos . Não temos segredos....
- É chato, Maria Alice. Não vou ter coragem de olhar para a cara das suas amigas. No dia que eu broxar você também vai contar pra elas?
- Deixa de bobagem. Esquece. Vamos começar? Estou excitada .
- Muito ou pouco?
- Muito. Sua voz está super sensual .
- Estou fazendo essa voz só pra você, minha linda.
- Nossa, me arrepiei toda agora.
- Queria estar aí para ver. Estou morrendo de vontade de pegar....
Maria Alice cortou a conversa :
- Jorginho, me lembrei de uma coisa: você comprou o azeite de dendê que minha mãe pediu? Se você esquecer ela vai falar pra caramba!
- Pô Maria Alice, isso é hora de lembrar de azeite de dendê? Cortou meu tesão.
- Desculpe, é que eu fiquei com medo de não lembrar depois. Ela já me ligou hoje cobrando.
- Não comprei, mas vou comprar. Pode deixar.
- Anota na sua agenda. Não me esquece esse azeite!
-Tá bom. Agora vamos começar. Essa ligação vai ficar cara demais.
- Estou esperando. Começa .
- Você me deixou perdido. Estava indo tão bem. Ia começar e você veio com essa história de dendê.
- Desculpe, já disse. Foi sem querer.
- O problema é concentrar novamente. Sexo é cabeça.
- Vai, amor , você consegue. O que eu preciso dizer para você ficar excitado?
- Me chama de cachorrão.
Maria Alice faz uma voz melosa para impressionar o namorado:
- Vem meu cachorrão. Late pra mim, late.
- Sacanagem! Latir, Maria Alice?!
- Exagerei. Desculpa. Vamos tentar mais uma vez..
- Tá. Se dessa vez falhar , a gente desiste. Combinado?
-Combinado. Quem começa?
- Você.
- Eu? O que é que eu vou falar?
- Que falta de imaginação!.Alguma coisa romântica.
- Não, Jorginho. Começa você.
- Desligou o celular? Não quero ser interrompido pelo toque de celular.
- Tá desligado. E o seu?
- Também. Vou começar. Concentração. Qual é a cor da sua calcinha?
O interfone toca insistentemente.
- Jorginho, o interfone está tocando. Quem pode ser a essa hora?
- Não atende.
- Não pára de tocar. Péra aí, vou ver.
Era o porteiro:
- Dona Maria Alice, o apartamento 202 está pegando fogo. Os bombeiros estão evacuando o prédio.
- Pegando fogo? Fooogooo?
Desceu de camisola. No telefone, Jorginho gritava:
- Maria Alice, ei, você está aí? Fala, o que aconteceu? Maria Aliiiiiiiccceeeeeeee...
*Radialista e jornalista, trabalhou como produtora, repórter e redatora nas Rádios Fm O DIA, Tropical e Rádio Globo. Foi Produtora-Executiva da Rádio Tupi. Lecionou Telemarketing, atendimento ao público e comportamento do Operador , mas sua paixão é escrever, notadamente poesias e contos.
Cel, eu adorei a forma como você descreveu essa situação. O azeite de dendê foi demais. Coitado do Jorginho. Parabéns e beijos!
ResponderExcluirSe chamar o cara de cachorrão, ela consegue tudo o mais. É tiro e queda! Ele até late, se ela pedir a segunda vez. Pena foi correr do fogo, mal começava a atiçar. Técnicas da narrativa, coisas de quem sabe das coisas, cara Cel. Parabéns.
ResponderExcluirQuando estamos pensando que agora vai pegar fogo, pega sim, mas fogo com labaredas verdadeiras e não fogo do desejo. Quando há paixão e distância somados, o sexo virtual é alternativa viável, imaginamos. Mas eu olhava o espaço da página e via que não daria tempo de mais nada. E não deu mesmo. Desapontamento também pode ser um grande final.
ResponderExcluirTem momento que é melhor deixar pegar fogo a chamar os bombeiros pra botar água na fervura...
ResponderExcluirAh, baixa um Skype..., compra uma câmera..., e não precisa passar perfume, né?! (rs) Mas falando sério agora: QUEM FOI O FILHO DE UMA PUTA QUE COLOCOU FOGO NO 202???!!!
ResponderExcluirnossa!!!essa foi comédia total Cê...
ResponderExcluircomo cantava Renato Russo: "sexo verbal não faz meu estilo" e pelo visto nem o deles...beijokas
Isso é o que se pode chamar de Hot Line. Literalmente. Ou melhor, literariamente. Parabéns, Cel.
ResponderExcluirIncrível!!!Como você foi imaginar uma historia tão incrível? A cada dia você se supera, Celamar...
ResponderExcluirBeijos