quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Literário: Um blog que pensa

(Espaço dedicado ao Jornalismo Literário e à Literatura)

LINHA DO TEMPO: Dez anos e dez meses de criação.

Leia nesta edição:

Editorial – Esforços frutíferos.

Coluna De Corpo e Alma – Mara Narciso, crônica, “Reserva”

Coluna Verde Vale – Urda Alice Klueger, crônica, “Glauco Rodrigues Corrêa”.

Coluna Em Verso e Prosa – Núbia Araujo Nonato do Amaral, crônica, “Ícones”.

Coluna Porta Aberta – Fernando Brito, crônica, “Moro e o clube dos juízes”.

Coluna Porta Aberta – Jomard Muniz de Britto, crônica, “Ruínas da contemporaneidade ou pós-modernismo em ruínas”.

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Livros que recomendo:

“Poestiagem – Poesia e metafísica em Wilbert Oliveira” (Fortuna crítica) – Organizado por Abrahão Costa Andrade, com ensaios de Ester Abreu Vieira de Oliveira, Geyme Lechmer Manes, Joel Cardoso, Joelson Souza, Levinélia Barbosa, Karina de Rezende T. Fleury, Pedro J. Bondaczuk e Rodrigo da Costa Araújo – Contato: opcaoeditora@gmail.com  
“Balbúrdia Literária” – José Paulo Lanyi – Contato: jplanyi@gmail.com
“A Passagem dos Cometas” – Edir Araújo – Contato: edir-araujo@hotmail.com
“Boneca de pano” - Edir Araújo – Contato: edir-araujo@hotmail.com
“Águas de presságio” – Sarah de Oliveira Passarella – Contato: contato@hortograph.com.br
“Um dia como outro qualquer” – Fernando Yanmar Narciso.
“A sétima caverna” – Harry Wiese – Contato:  wiese@ibnet.com.br
“Rosa Amarela” – Francisco Fernandes de Araujo – Contato: contato@elo3digital.com.br
“Acariciando esperanças” – Francisco Fernandes de Araujo – Contato: contato@elo3digital.com.br   
“Cronos e Narciso” – Pedro J. Bondaczuk – Contato: WWW.editorabarauna.com.br
“Lance Fatal” – Pedro J. Bondaczuk - Contato: WWW.editorabarauna.com.br



Obs.: Se você for amante de Literatura, gostar de escrever, estiver à procura de um espaço para mostrar seus textos e quiser participar deste espaço, encaminhe-nos suas produções (crônicas, poemas, contos, ensaios etc.). O endereço do editor do Literário é: pedrojbk@gmail.com. Twitter: @bondaczuk. As portas sempre estarão abertas para a sua participação.



  
Esforços frutíferos


A vida, sobretudo a humana, consiste, em sua maior parte, de atividades, quer as físicas, quer intelectuais, quer ambas, simultaneamente. Até aí, limitei-me a concluir o óbvio do óbvio. Despendemos, diariamente, uma carga imensa, incontável, de esforços, para andar, falar, trabalhar, copular, brigar ou jogar, não importa. Uns, esforçam-se mais, por serem ou mais fortes ou mais ativos, outros menos, por deficiências orgânicas ou temperamento. Mas todos, de uma maneira ou de outra, fazem força o tempo todo. Até durante o sono, sem que percebamos, nos esforçamos muito. Nosso corpo não foi projetado para a inércia, mas para a atividade.

Há, porém, os que entendem que os esforços devem ser, sempre, dirigidos e seletivos, ou seja, objetivos, caso contrário serão considerados inúteis, mera perda de tempo e de energia. Contesto os que pensam assim. Não vejo inutilidade alguma, e muito menos desperdício, em atividade alguma, desde que não seja ininterrupta, 24 horas por dia, 30 dias no mês e 12 meses ao ano, o que, claro, é impossível. Portanto...

Esforçar-se, em última análise, é viver. Só não faz esforço algum, obviamente, aquele que já morreu. E por que? Somente porque não conta mais com aquele “motor” que empresta dinamismo e vigor aos seres vivos. Por isso, entra em rápido processo de decomposição. Essa constatação parece, reitero, para lá de óbvia, mas nunca é demais repeti-la, pois muitos parecem que não a entendem, ou relutam em entender.

Concordo plenamente com o sociólogo francês, Roger Caillois, quando afirma: “Não existem esforços inúteis”. E arremata: “Sísifo ganhava músculos”. Esse estudioso do comportamento, que morreu em 1978, aos 65 anos de idade, foi autor de um livro que até hoje corre o mundo e que na versão brasileira recebeu o título de “Os homens e os jogos”. Nele, aborda a necessidade humana de “brincar”. Caillois estendeu e completou seus estudos a respeito em outra obra, igualmente best-seller, intitulada “Homo Ludens”. Sim, amigos, jogar é, desde sempre, mais do que diversão, necessidade humana.

Não vou ser chato de expor os argumentos do sociólogo (aliás irretorquíveis), para não tirar o gostinho do leitor de consultar, por si só, os dois livros que citei. É leitura que recomendo a todos, especialmente aos amantes de “games”, que têm em Callois um grande defensor.

A propósito, muita gente talvez não se lembre quem foi Sisifo, que o pesquisador francês afirmou que “ganhava músculos” com sua atividade. Qual era ela? Quem foi esse personagem? Para quem não sabe (e não é feio não saber, mas o não querer aprender), informo que se trata de intrigante personagem da mitologia grega. Filho do rei Eólo e da rainha Enarete, era considerado o mais astuto dos mortais. Tanto, que enganou, em ocasiões diferentes, praticamente a totalidade dos deuses do Olimpo.

Sua esperteza era tamanha, que mesmo assim, descontentando os senhores dos destinos humanos, morreu de velhice. Aí, porém, foi que começou o seu drama (e que drama!). Sua alma foi conduzida, por Hermes, ao Hades e Zeus, o senhor supremo do Olimpo, atribuiu-lhe um castigo sem-fim, ou seja, para toda a eternidade.

E qual foi a tal punição? Foi a de rolar, com as mãos, uma enorme pedra de mármore, montanha acima, até o cume. Fácil, não é mesmo? Muita calma, afoito leitor. O castigo não era tão simples. Todas as vezes que Sisifo estava quase alcançando o topo, o pesado bloco rolava ladeira abaixo, até o ponto de partida, por meio de uma força irresistível: a da gravidade. E ele tinha, então, que recomeçar tudo outra vez, sempre e sempre, com o mesmíssimo resultado.

Por isso que todas as vezes que alguém quer se valer de uma metáfora, para ilustrar alguma tarefa inútil e infrutífera, se refere ao tal “Trabalho de Sísifo”. Caillois, contudo, argumenta que até esse esforço tinha algum proveito. “Qual?”, perguntaria o leitor desatento. “Ganhava músculos!”, responde o sociólogo francês.

Há algum desperdício de energia, por exemplo, numa caminhada, numa pelada com os amigos, num passeio de bicicleta, numa partida de frescobol na praia ou num simples jogo de peteca? Se não fizermos só isso, o tempo todo, mas também trabalharmos, andarmos, falarmos, copularmos, jogarmos etc., tudo a seu devido tempo e na dosagem adequada, não há nenhuma inutilidade nesses atos.

Na pior das hipóteses, estaremos, como Sísifo, “ganhando músculos”, quando não alguns anos de vida a mais. E isso não é precioso? Esses esforços, pois, não estarão sendo frutíferos? Claro que sim! Perguntem a qualquer médico!

Boa leitura!

O Editor.

Acompanhe o Editor pelo twitter: @bondaczuk


Reserva


* Por Mara Narciso


Reservar é poupar, guardar, fazer segredo, ocultar. Os amigos sugerem “não sofra antes da hora”, para que se guarde energia para o momento propício. Melhor gastar a força com parcimônia no período que antecede a revelação, para que se tenha coragem na hora crucial. Por inútil, a preocupação, paralisia no momento presente para tentar mudar o futuro, não deveria ser sentida. Ainda que seja um consumo de energia sem nenhum proveito é vista por alguns como uma virtude. “Mas eu me preocupo com você!” Melhor ocupar-se, pois estudos mostram que 85% das preocupações não se concretizam (ignoro a fonte).

Ser discreto e não escancarar a vida e os problemas pessoais ou de pessoas próximas é tido como reserva de mercado. Falar demais a quem não merece confiança é certeza de aborrecimento. A discrição, sim, é virtude, especialmente tratando-se de sentimentos, doenças e negócios. A inveja pode fazer o ouvinte mudar de lado e enviar maus eflúvios. O mundo se move ao poder das emanações invisíveis, e das ruins ninguém quer ser alvo.

Em tempo de descrença generalizada, período em que debaixo de cada pedra tem uma serpente, a reserva moral vale ainda mais. Felizes dos que podem confiar em alguém a ponto de pular de cabeça do alto do trapézio de braços e peito abertos, e olhos e corpo fechados, sem medo. A existência de pessoas desse tipo no seu rol de relacionamentos vale muito, é mais do que ter dinheiro, é força, segurança, garantia e equilíbrio.

Quase nenhum jovem toma cuidados adequados com sua saúde, e pensa que esse bem será eterno. Cuida-se relativamente bem da pele, mas se esquecem dos ossos e dos músculos, e da perda acelerada da massa óssea e muscular da maturidade. Se fizer algum exercício é pensando unicamente na estética daquele momento. Tais reservas serão úteis quando a recuperação desses bens físicos se tornarem mais difíceis.

Poupar lembra dinheiro e é bom que se reserve algum para momentos de dificuldade econômica, hora de buscar na reserva. No nosso sexto ano de seca, é preciso reservar água, energia, reduzir a produção de lixo, pensar no coletivo.

Também se devem poupar emoções ruins vindas de discussões inúteis, especialmente no campo religioso, futebolístico e político, feitas entre pessoas de ideias petrificadas e alinhamento de pensamento oposto ao seu, e isso é óbvio. Explosivas discussões são lidas nas redes sociais, palcos de engalfinhamentos dos mais ferozes, infelizes e infrutíferos. Seria bom que fossem levadas adiante, porém de forma civilizada.

Em reserva de hotel a palavra reserva está ligada a algo bom que deverá ser utilizado mais tarde. Em reserva florestal significa preservar e não utilizar.

Para quase tudo, gastar com moderação, fazer economia, porém evitando a avareza. Confiar, com reservas, se declarar com reservas, porém amar sem reservas, guardando para si as exatas dimensões desses arroubos, pois o que há em abundância não tem valor. Discreta, poderia reservar-me o direito de ficar calada, mas direi que vivi, vivo e viverei apaixonada, reservadamente.

*Médica endocrinologista, jornalista profissional, membro da Academia Feminina de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico, ambos de Montes Claros e autora do livro “Segurando a Hiperatividade”   


Glauco Rodrigues Corrêa


* Por Urda Alice Klueger


Quando conheci Glauco Rodrigues Corrêa? Num congresso de escritores em Blumenau? Na Editora Lunardelli? Em algum lançamento de livro? Não sei mais dizer; não me lembro. Sei é que, de repente, conhecia o Glauco, aquele Glauco cheio de vívida alegria, uma alegria tão contagiante que o tornava totalmente encantador. Aqui e ali encontrando o Glauco, sempre com aqueles trejeitos de quem é alegre, seu jeito engraçado de sacudir os ombros e dar opiniões, um certo tique nervoso no jeito de piscar, um amor de criatura! Uma vez, passamos uma tarde inteira juntos. Foi numa feira do livro, em Florianópolis, montada em frente à Catedral, num mês de novembro. Ventava o mais legítimo vento sul, tornando gelada a tarde que deveria ser quente, e todos tremíamos dentro dos agasalhos. Pelas três horas haveria um debate entre escritores e alunos no Teatro Álvaro de Carvalho, e para lá se dirigiram os escritores em magote, prontos a conversar com a moçada que enfrentava o vento sul para nos curtir.

No teatro, elegantíssima senhora de vestido brilhante e laquê brilhante nos cabelos arrumados, também comparecera na condição de escritora. Não a conhecíamos. Perguntamos o que escrevia, e ela nos disse, muito de cima de um pedestal, que preparava um livro de sonetos. Lembro do olhar malicioso do Glauco cruzando-se com o meu, diante dos sonetos e da visível arrogância da senhora elegante. Lá se vão anos, e ainda não sei quem era aquela senhora. Sei é que nos divertimos muito às custas dela. Subimos ao palco com a boa intenção de realmente conversarmos e debatermos com os alunos e lá estavam Silveira de Souza, Flávio José Cardoso, Alcides Buss e outros tantos de quem agora não lembro, escritores que teriam muito o que dizer aos alunos transidos de frio, mas a senhora elegante não deixou ninguém falar: apossou-se do microfone e fez uma palestra chata e insípida, que fazia com que os alunos (e os escritores) bocejassem. Olhares significativos eram trocados entre os escritores calados, e eu me continha para não rir diante dos olhares cáusticos do Glauco.

Ao final da palestra, caímos todos fora o mais rápido possível, alunos e escritores, a discutir quem seria aquela senhora que tornara tão chata a tarde. Havia uma decepção geral diante do que não acontecera. Voltamos para a praça, para a feira do livro. Lá, também estava instalada uma barraca onde se vendia cachaça. Havia incontáveis vidros contendo as mais diferentes cachaças, desde cachaça com cobra até cachaça com rosas, passando pelo butiá, jabuticaba, todas essas iguarias que a criatividade do brasileiro elaborou. Cada vidro tinha um número e, se bem me lembro, as cachaças eram numeradas de 1 a 80. O vento e o frio, além de haverem espantado as pessoas da feira do livro, pediam que a gente aquecesse a alma com algo mais forte, e não tivemos nenhuma dúvida quando paramos na barraca das cachaças. Começamos a prová-las pela sequência em que estavam numeradas, um tiquinho só de cada, e paramos bem antes do número 80, mas quanto nos divertimos! Estávamos todos mais ou menos injuriados pelo fracasso no debate com os alunos, e Glauco não escondia nem um pouco o seu estado de espírito. Acho que não devo reproduzir aqui os comentários engraçadíssimos e contundentes que ele fez a respeito da elegante senhora que nos roubou a tarde, mas posso garantir que eles foram ferinos, e tão bem humorados, que nos colocavam todos a rir. Glauco acabou se transformando na estrela da tarde, e o rodeávamos expandindo as almas nas risadas que o seu bom humor provocava, e ele era como um sol a iluminar e a aquecer aquela tarde de novembro e vento sul.

Depois daquele dia, tornei-me irrestrita admiradora do Glauco tendo, só depois disso, acesso aos seus livros. Ah! Glauco, quanta inteligência, quanto primor nas tramas, quanta sutileza criadora no que você escrevia! Na sua modéstia Glauco era uma dessas pessoas que tinha nascido para ser grande, para brilhar, e só eu sei o quanto me doeu saber que, de uma forma tão repentina, a sua trajetória foi cortada pela morte, assim, em pleno viço dos anos, no raiar da idade mais profícua da vida! Eu acredito que, de alguma forma, a gente continua do lado de lá, depois que esse corpo aqui deixa de viver, e que, se Glauco se foi para nós, em alguma outra dimensão ele continua brilhando e expandindo o seu bom humor crítico e ferino, e é para essa outra dimensão que eu tento olhar agora, quando não lhe digo adeus. Acredito que algum dia todos nós iremos nos reencontrar nessa outra dimensão, e é por isso que só lhe digo: até mais, Glauco! A gente se vê!

(Texto lido na Academia Catarinense de Letras, quando da Sessão de Saudade pela morte do escritor Glauco Rodrigues Correa, no dia 25 de março de 1993)


* Escritora de Blumenau/SC, historiadora e doutoranda em Geografia pela UFPR, autora de vinte e seis livros (o 26º lançado em 5 de maio de 2016), entre os quais os romances “Verde Vale” (dez edições) e “No tempo das tangerinas” (12 edições).



Ícones


* Por Núbia Araujo Nonato do Amaral


Nunca tive um ícone de beleza na minha vida. Confiava tanto em minha mãe que não me  preocupava com espelhos. Sabia que o cabelo estava impecável, a roupa passadinha e o sapato engraxado.

Não fazia feio nas festas, gostava de ouvir os elogios à ela. Nunca me importei se a roupa não era novinha em folha. Minha mãe era arteira, dava jeito em tudo.

Gostava de ver refletida nas poças minha imagem segurando as mãos dela. Na verdade meu espelho eram os olhos dela.

Eu era bela, eu era linda, um tesouro, como ela mesma dizia. A beleza se perpetua nos sentimentos que dançam em meus olhos.

* Poetisa, contista, cronista e colunista do Literário



Moro e o clube dos juízes


* Por Fernando Brito


A Constituição Brasileira prevê critérios gerais para a escolha de Ministros do Supremo Tribunal Federal e, como acontece na grande maioria dos países democráticos, nenhum deles é a indicação feita por votação dos próprios magistrados.

Por uma razão simples e de fácil compreensão: a Justiça não pode funcionar como uma corporação, sob pena dos juízes serem prisioneiros de tornarem-se reféns de confirmar ou reformar decisões de “colegas” movidos por razões políticas e não por livre convencimento.

A “eleição” de uma lista tríplice de indicações para o Supremo, pelo “voto” de juízes federais é, por si só, por isto, uma aberração.

E, claro, a maior votação obtida por Sérgio Moro é, igualmente, uma ação política, que nada tem a ver com o conhecimento jurídico do indicado ou sua experiência nas várias áreas do Direito, uma vez que, embora atualmente não pareça, o Supremo é um tribunal constitucional, não uma vara criminal, ao que conste a única “especialidade” de Moro como julgador e, ainda assim, em crimes financeiros.

Moro é um juiz, com toda boa-vontade, “de uma nota só”.

Essa distorção, embora não oficializada, mas cada vez mais presente na Justiça brasileira é, sem dúvida, a responsável pelo distanciamento crescente entre o Judiciário e as necessidades do país. Estimula a “ação entre amigos” dos privilégios, das vantagens abusivas e a formação de uma casta desligada dos dramas nacionais, embora sejam estes que vão sair sob seu martelo.

Os senhores juízes, faz tempo, esqueceram da frase do ex-primeiro-ministro da França, responsável para implantação da primeira cátedra de Direito Constitucional naquele país: “Quando a política penetra no recinto dos Tribunais, a Justiça se retira por alguma outra porta”.


* Jornalista.
Ruínas da contemporaneidade ou pós-modernismo em ruínas


* Por Jomard Muniz de Britto


Os leitores (im)possíveis e ou dialógicos podem começar escolhendo o título. Mesmo que seja outro, outros. Nossa ainda precária convicção nos desloca-dos dualismos. Certo/Errado. Bem/Mal. Ideológico/Complexidades. Fissuras. Se somos ALGO incompreensível, nossos discordantes seriam muito mais. Perdidos e brincantes entre OUTROS CRÍTICOS.

Território movediço de linguagens. Por que não divertir-se e até perverter-se com Dicionários? Dialéticas revisionistas. Demandas. Ocupações. Confrontos.

Não conseguimos escapar das citações, desde que o citacionismo foi considerado uma das características redesenhadas da pós-modernidade. Lembram-se de Ana Mae Barbosa? Travessias da criticidade na ArtEducação.

Dos polêmicos pré-socráticos ao corajoso Foucault. Do eterno Nietzsche ao contemporâneo Agamben. Da “ideia de matéria” às ideações da morte e do despertar. Ideias e interatividades em busca de leituras transversais. Todos retornos a nos consumir, alumbrar e desnortear.

Nunca um prefixo foi tão superestimado: TRANS… Dos gêneros às historicidades masculinas, femininas, neutras. O GOOGLE transformou-se na Enciclopédia como neon-tesouro da juventude. Tudo com a maior e melhor pressa ou compressa?

Quase todas heranças e errâncias no jogo mais do que lúdico das desterritorializações. (Lembram-se do HOMO LUDENS?) Que enorme palavra desconstruindo territórios? Atenção para o refrão: é preciso estar atento para pronunciá-la com a melhor dicção e gestualidade. É preciso e urgentíssimo, como se fosse possível.

Em tudo, a favor e contra todos os solitários e até mesmo solidários das conversações ANALíticas. Perseguidores e releitores de FREUD podem virtualizá-lo em qualquer parte, partido alto ou partituras operísticas e orfeônicas. VALE QUANTO PESA a sabedoria de Silviano Santiago ou Pedro Américo de Farias. Coisa e coisas do mundo, encontros e desatinos.

A psicanálise selvagem jamais será domesticada, mas continua atordoando lembranças de Heráclito a Roland Barthes. Escutas para qualquer es cre vi ven do ou ESCRIDURA.

O que Ezra Pound ensinava com indócil pedagogismo, fazendo a hierarquia entre Inventores/Mestres/Diluidores, foi TRANStornado pelos direitos e avessos do KITSCH. Este vocábulo saiu de moda? Foi um rio que repassou em nossas vidas secas e universitárias? Assim, tal e qual nada igual, a serialidade inventivo-mercadológica veio situar nosso ROMERO BRITTO no ápice de autores consagrados como Paulo Coelho. Sangrados por OUTROS CRÍTICOS. Traduzidos universalmente. Podem CRERRRRRRR.

Portanto, não estamos ofendendo ninguém quando nos surpreendemos com a voracidade do neon-capitalismo de sempre. Além e aquém dos GOVERNOS, mas bem dentro do K, do CAPITAL com seus abismos, delações e contradicções.

Sem outras alternativas, continuemos vampiros hipnotizados pelo enorme talento das improvisações. Lúdicas e guerrilheiras por amadorismo. Pelo jogo dos EDITAIS e empreendedores dos Fundos de Cultura. Continuemos miXturando as flores das recorrências com espinhos das estranhezas. Alhos e bugalhos dos tropicaIismos e ainda tropicologias com Y. Nossa memória errante enquanto exercício de sujeitObjetos. Subjetivações em PERMANÊNCIA transitando pela IDADE DA TERRA ao perspectivismo dos antropólogos em círculos de cultura. Relembram-se de Paulo Freire agora denegado em nossa (?) PÁTRIA EDUCADORA? Até quando, ainda perguntaria O PALHAÇO REDEGOLADO?

O que desejamos para OUTROS CRÍTICOS afro-descendentes, indigenistas, telespectadores da AVENIDA BRASIL em folias? Nosso ID oscilando entre astrológicas ocultações e OCUPAÇÕES autossuperadoras. Nosso EGO perdurando entre Narcisos e demais FUNDAMENTALISMOS. Nosso SUPEREGO atravessando ciladas pelos idioletos no horizonte das imprevisibilidades. O que fazer com nossas RUÍNAS para todos bem e malpensantes?

Do mais antigo jornal em circulação na América Latina – DIARIO de PERNAMBUCO – aos confins do mais saudável anarquismo conscientizador das OCUPAÇÕES.

Além das alternativas missionárias pela CAIXA CULTURAL, ocupemos ESTELITAS, UNIVERSIDADES, Avenidas, Praças, Largos entre O GALO DA MADRUGADA e o BLOCO (filosofante) do NADA. Dialética sem SÍNTESE recuperadora? Diálogo transtornado pela Dúvida Permanente para todos, alguns e ninguém.

Publicado originalmente na revista Outros Críticos #7 – versão da revista on-line | versão da revista impressa.

* Poeta e escritor.