Véspera
* Por Paulo Henriques Britto
No trivial do
sanduíche a morte aguarda.
Na esquiva
escuridão da geladeira
dorme a sono
solto, imersa em mostarda.
A hora é
lerda. A casa sonha. A noite inteira
algo cricrila
sem parar — insetos?
O abacaxi
impera na fruteira,
recende
esplêndido, desperdiçando espetos.
A lua bate o
ponto e vai-se embora.
Mesmo os
ladrilhos ficam todos pretos.
A geladeira
treme. Mas ainda não é hora.
Se houvesse um
gato, ele seria pardo.
A morte ainda
demora. O dia tarda.
* Poeta, linguista, professor e tradutor.
Nenhum comentário:
Postar um comentário