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Com as graças de Deus
* Por Sílvio Lancellotti
A filha mais velha passa os finais de semana na casa do namorado. O filho do meio recebe garotas no seu quarto e tranca a porta. A pimpolha menor, ainda pré-adolescente, já freqüenta as baladas do clube. Nas novelas da TV, a caçulinha testemunha cenas de quase sexo. Ele não é um moralista, pelo contrário. Aceita certas modernidades como inevitáveis nestes idos de Internet e de telefones celulares. Mas, se recorda com uma certa melancolia dos seus tempos de juvenilismo, quando pegar a mão de uma menina exigia semanas de paciência e quando não existiam expressões como “ficar” ou “transar”.
Já é avô e imagina como será risonha e franca infância da netinha. Talvez conheça o seu primeiro beijo na boca antes dos dez de idade...
Estava na faculdade de Engenharia quando conheceu, digamos, Joana, a morenota que tirou a virgindade de sua língua. Sentiu-se pasmado com a iniciativa audaciosa que não esperava. Faria Joana, aquilo, com quaisquer outros? Apavorou-se, ele que fantasiava se casar com tal menina. Pior, certa ocasião, no jardinzinho da entrada da casa de Joana, ela literalmente o agarrou e o obrigou a acariciar os seus seios. Ocorreu uma inexorável ereção. Joana percebeu, desceu a sua mão direita e, por dentro da calça, o aprisionou.
Passaram a brincar todos os dias. Inclusive no carro do pai de Joana, nas vezes em que viajavam à praia. Ocupavam o banco de trás, um cobertor sobre as pernas. Joana, louca, adorava masturbá-lo às costas do pai e da mãe.
De todo modo, o medo e o remorso o perseguiam. Resolveu procurar um padre amigo. Confessou o seu crime. Paciente, sereno, o padre analisou os seus pecados e, então, perguntou: “Ela é bonita, meu caro? E vocês gostam do que fazem?” À resposta afirmativa, o padre completou, abençoante: “Ótimo. Nesse caso, dê graças a Deus e não me incomode mais com bobagens”.
Livre no corpo e na alma, nunca mais parou. Nem com as feias.
* Diplomou-se em Arquitetura. Trabalhou na revista “Veja” de 1967 até 1976, onde se tornou editor de “Artes & Espetáculos”. Passou por “Vogue”, agências de publicidade, foi redator-chefe de “Istoé”, colunista da “Folha” e do “Estadão”, fez programas de gastronomia em várias emissoras de TV, virou comentarista de esportes da Band, Manchete e Record, até se fixar, em 2003, na ESPN. Trabalha, além da ESPN, na Reuters, na “Flash”, no portal Ig e na “Viva São Paulo” e é sócio da filha e do genro na Lancellotti Pizza Delivery – site de Internet www.lancellotti.com.br.
* Por Sílvio Lancellotti
A filha mais velha passa os finais de semana na casa do namorado. O filho do meio recebe garotas no seu quarto e tranca a porta. A pimpolha menor, ainda pré-adolescente, já freqüenta as baladas do clube. Nas novelas da TV, a caçulinha testemunha cenas de quase sexo. Ele não é um moralista, pelo contrário. Aceita certas modernidades como inevitáveis nestes idos de Internet e de telefones celulares. Mas, se recorda com uma certa melancolia dos seus tempos de juvenilismo, quando pegar a mão de uma menina exigia semanas de paciência e quando não existiam expressões como “ficar” ou “transar”.
Já é avô e imagina como será risonha e franca infância da netinha. Talvez conheça o seu primeiro beijo na boca antes dos dez de idade...
Estava na faculdade de Engenharia quando conheceu, digamos, Joana, a morenota que tirou a virgindade de sua língua. Sentiu-se pasmado com a iniciativa audaciosa que não esperava. Faria Joana, aquilo, com quaisquer outros? Apavorou-se, ele que fantasiava se casar com tal menina. Pior, certa ocasião, no jardinzinho da entrada da casa de Joana, ela literalmente o agarrou e o obrigou a acariciar os seus seios. Ocorreu uma inexorável ereção. Joana percebeu, desceu a sua mão direita e, por dentro da calça, o aprisionou.
Passaram a brincar todos os dias. Inclusive no carro do pai de Joana, nas vezes em que viajavam à praia. Ocupavam o banco de trás, um cobertor sobre as pernas. Joana, louca, adorava masturbá-lo às costas do pai e da mãe.
De todo modo, o medo e o remorso o perseguiam. Resolveu procurar um padre amigo. Confessou o seu crime. Paciente, sereno, o padre analisou os seus pecados e, então, perguntou: “Ela é bonita, meu caro? E vocês gostam do que fazem?” À resposta afirmativa, o padre completou, abençoante: “Ótimo. Nesse caso, dê graças a Deus e não me incomode mais com bobagens”.
Livre no corpo e na alma, nunca mais parou. Nem com as feias.
* Diplomou-se em Arquitetura. Trabalhou na revista “Veja” de 1967 até 1976, onde se tornou editor de “Artes & Espetáculos”. Passou por “Vogue”, agências de publicidade, foi redator-chefe de “Istoé”, colunista da “Folha” e do “Estadão”, fez programas de gastronomia em várias emissoras de TV, virou comentarista de esportes da Band, Manchete e Record, até se fixar, em 2003, na ESPN. Trabalha, além da ESPN, na Reuters, na “Flash”, no portal Ig e na “Viva São Paulo” e é sócio da filha e do genro na Lancellotti Pizza Delivery – site de Internet www.lancellotti.com.br.
Tanta coisa "cabeluda" por aí...
ResponderExcluirEstá certo o padre, viva e deixe viver.
Adorei e sem culpas.
Abraços
A hora é agora. O tempo presente logo será passado. Pode-se sentir culpa de o tempo ter passado entre os dedos e não ter acontecido a vida. Melhor agora. Nos tempos da moralidade excerbada, a culpa é que desconcentrava.
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