Videntes temem pelo seu futuro
* Por
Marcelo Sguassábia
Quem poderia prever
que um dia os videntes, cartomantes, quiromantes e assemelhados comeriam o pão
que o diabo amassou? Pois são muitas as evidências do calvário que o pessoal de
túnica e turbante vem enfrentando.
Uma bolha de ar, na
verdade um defeito de fabricação da bola de cristal, fez uma vidente de Macapá
anunciar que uma bomba atômica iria explodir no campo de futebol do Esporte
Clube Galo Torto. A distorcida previsão levou pânico desnecessário a milhares
de torcedores, que perderam seus ingressos para uma das semifinais do
campeonato amapaense, cuja disputa foi interrompida pelo imbróglio.
Esse é apenas um
dentre os muitos chabus proféticos ocorridos pela falta de qualidade nos
apetrechos mágicos. Um bruxo que não quis se identificar, recém-empossado em
cargo de confiança na Pré-Vidência Federal, sustenta que a situação permanecerá
indefinida no curto prazo e que só o estabelecimento de normas ISO para os
fornecedores poderá resolver de vez a questão. O problema ganha contornos
alarmantes, na medida em que afeta diretamente o futuro das pessoas.
Outros recentes
episódios vêm unindo a classe esotérica, que discute alternativas de resgate da
arranhada credibilidade. Uma das estratégias levantadas passa pela veiculação
de uma campanha publicitária de âmbito nacional, com o lançamento do selo
"Vidente Aferido".
Coroando esse cenário
de imprevisíveis consequências, a epidemia de tétano nos faquires do sudeste,
pauta de Globo Repórter do mês passado, também inspira discussões acaloradas no
meio. Com o desestímulo do governo à industria nacional de pregos
antitetânicos, os faquires estão sendo obrigados a adquirir congêneres no
mercado cambojano - famoso pelas cabeças desproporcionais, pelos pontos de
ferrugem em toda extensão dos produtos e pela tortuosidade de formatos.
Aproveitando a
repercussão e os holofotes da mídia, leitores de tarô e jogadores de búzios
unificam seus sindicatos para ganharem poder de barganha em antigas
reivindicações da categoria.
Porém, nem todas as
notícias são desanimadoras. Na contramão da crise, um inexplicável aumento de
demanda vem sendo observado nas tendas de ciganas piauienses, cujos baralhos
preveem um segundo semestre como nenhum outro em seu mercado.
* Marcelo Sguassábia é redator
publicitário. Blogs: WWW.consoantesreticentes.blogspot.com
(Crônicas e Contos) e WWW.letraeme.blogspot.com
(portfólio).
O ano de 2015 está terrível para todo mundo. Prever que ainda poderá piorar, não é difícil. Gostei das "imprevisíveis consequências". Assim, como prever o futuro? Boa, Marcelo!
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