quarta-feira, 19 de agosto de 2015

CARTAS QUE NÃO SE REPETIRÃO JAMAIS Nº 4 – DE JORGE AMADO PARA URDA ALICE KLUEGER



(Em papel timbrado de Jorge Amado)



Salvador, 11 de novembro de 1994.

Cara amiga:

Antes de tudo: se você quiser me fazer um favor não me trate por mestre; não sou mestre de ninguém – um romancista é aprendiz do seu ofício até o último livro que escreve como com certeza você sabe.

Agradeço a sua carta, bela e generosa como as anteriores. Agradeço ainda mais o exemplar de “Cruzeiros do sul”. Ainda não iniciei a leitura de seu romance, as minhas atuais deficiências de visão tornaram-me a leitura lenta e penosa. Felizmente  com os novos óculos que me receitaram estou conseguindo ler, coisa que não fazia há três meses, viva!

Eu tinha compromisso anterior de ler alguns livros, estou chegando ao fim. Assim sendo, espero começar a leitura de “Cruzeiros do Sul” na próxima semana. Apenas o tenha lido, darei notícias.

Posso adiantar, no entanto que, estando hospedada aqui em casa amiga nossa muito querida, a senhora Nadreau – Maria Louise Nadreau, embaixatriz e francesa, leitora inveterada de boa literatura, capaz de opinião e julgamento – tomou de seu livro e o devorou em dois ou três dias. Terminou a leitura  com exclamações de apreço e admiração pela romancista e, em seu português  da Ilha d’Oleron, rasgou os maiores elogios à autora Urda A. Klueger. Fiquei ainda mais curioso, desejoso de comprovar o entusiasmo de Misete. Assim o faça, voltarei a escrever.

Beijos de Zélia e de Misete (a senhora Nadreau) e um abraço do seu amigo.

(Assinatura de Jorge Amado)

Rua Alagoinhas nr  33 – Rio Vermelho – CEP 41910 – Salvador – Bahia – Brasil

(Digitalizado em 09 de Agosto de 2015 por Urda Alice Klueger – urdaaliceklueger@gmail.com)

* Escritora de Blumenau/SC, historiadora e doutoranda em Geografia pela UFPR, autora de mais três dezenas de livros, entre os quais os romances “Verde Vale” (dez edições) e “No tempo das tangerinas” (12 edições).






Um comentário:

  1. Mais uma vez, quanto privilégio de ter vivido essa interação, Urda.

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