Carta ao Aleph
* Por
Luiz Augusto Cassas
(ou a segunda luta de Jacó contra o Anjo)
por que me ofertas mãos de seda
a tantas mãos renegadas
e a meus dedos se tornam espadas
despencando-me à treva?
por que me acenas caminhos
se carregas as mãos crispadas
e colho a marca dos espinhos
das plantas secas na estrada?
por que me cobras o dízimo
por ter as mãos espalmadas
se o território do vazio
é a palmatória do nada?
por que me concedes a trégua
de repousar em tuas águas
passageiro de mil léguas
afoga-me em vale de lágrimas?
por que me obrigas a voar
de retorno à tua morada
se me interpões o mar
e a inexistência de asas?
que estranha missão reservas
aos dependurados dos pés
_ inversas as bocas mãos de viés _
mastigar ervas amargas?
qual o meu crime hediondo
senão viver da vida o sonho?
vale o céu o dia de hoje:
o sol a luz não me soube!
toma as formas do humano
e a luz precipitará
ã leitura dos meridianos
nova dimensão do olhar!
posto que retornas à cena
ferindo-me a coxa em refrão
sentirás a dor eterna
lançando-te ao chão com o bastão!
confrontando ao tronco a árvore
vergado o galho na mão
à alma tocada a carne
abras (enfim) o coração
In A Poesia Sou Eu, vol. 2, p.379
*
Poeta maranhense
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