Sem recreio
* Por Suzana
Vargas
Um
carro correndo na ponte
Um sol que vertia sangue
Sobre o monte...
Um sol que vertia sangue
Sobre o monte...
Onde
os poemas
não escritos?
não escritos?
Onde
o poema que
não fiz por
não fiz por
que
não tinha empregada
ou
porque a neném estava
com diarréia?
ou
porque a neném estava
com diarréia?
Quando
escrever poemas
no banheiro
Se crianças me
reclamam por inteiro?
escrever poemas
no banheiro
Se crianças me
reclamam por inteiro?
Meus
poemas?
Como encontrá-los
na madrugada
se de noite
me deito
Cansada?
Como encontrá-los
na madrugada
se de noite
me deito
Cansada?
Mas
eles me acenam:
da água suja do balde
sapóleo branco do piso
Onde meus poemas
o lixo
da água suja do balde
sapóleo branco do piso
Onde meus poemas
o lixo
Das
aulas que
dou
como louca
E ao diretor custam
Muito pouco?
dou
como louca
E ao diretor custam
Muito pouco?
Onde
a exata dimensão
freia o que sinto
Corre o que sangro
freia o que sinto
Corre o que sangro
* Poetisa gaúcha, radicada no Rio de
Janeiro, autora de literatura infantil e ensaísta. Tem 16 livros publicados,
entre os quais “Sombras chinesas” , “Caderno de Outono” (indicado ao Prêmio
Jabuti) e “O amor é vermelho”.
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