O importante poema sem importância
* Por
Pedro J. Bondaczuk
O mais importante
são as coisas
ditas sem importância.
O par de sapatos furados,
a camisa fina
convidando o frio pungente,
a fome de milhões
na fartura de tantos
e desperdício de quem tem.
O amor secreto,
a dorzinha surda,
o jejum forçado,
a incoerência,
o passo sem ritmo,
gestos sem compasso,
saudade discreta,
soma de incertezas,
fantasmas calados,
bruxa traiçoeira,
cega e sem dente,
que esbarra na gente,
e a gente não sente,
mas cai, de repente,
no ostracismo, no passado.
O importante é o corriqueiro,
o extremamente comum,
o comezinho, o pseudo-rotineiro,
o áspero dia a dia.
Dessas pequenas coisas,
ditas sem importância,
construímos nossas vidas,
em geral comuns,
destituídas de brilho,
porém sumamente
IMPORTANTES:
definitivamente
originais e únicas.
* Jornalista, radialista
e escritor. Trabalhou na Rádio Educadora de Campinas (atual Bandeirantes
Campinas), em 1981 e 1982. Foi editor do Diário do Povo e do Correio Popular
onde, entre outras funções, foi crítico de arte. Em equipe, ganhou o Prêmio
Esso de 1997, no Correio Popular. Autor dos livros “Por uma nova utopia”
(ensaios políticos) e “Quadros de Natal” (contos), além de “Lance Fatal”
(contos), “Cronos & Narciso” (crônicas), “Antologia” – maio de 1991 a maio
de 1996. Publicações da Academia Campinense de Letras nº 49 (edição
comemorativa do 40º aniversário), página 74 e “Antologia” – maio de 1996 a maio
de 2001. Publicações da Academia Campinense de Letras nº 53, página 54. Blog “O
Escrevinhador” – http://pedrobondaczuk.blogspot.com. Twitter:@bondaczuk
Sem as trivialidades não chegaremos às coisas importantes.
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