Buriti
* Por
Pedro Tierra
Em
palma verde de buriti,
tranço um balaio de versos
para tentar uma última vez…
recolher o milagre das chuvas:
tranço um balaio de versos
para tentar uma última vez…
recolher o milagre das chuvas:
água
das águas
que golpeia luminosa e vertical
o coração dos homens
e nos lava de todas as culpas
porque carece de acender
na paisagem submersa
a eterna condenação da vida;
que golpeia luminosa e vertical
o coração dos homens
e nos lava de todas as culpas
porque carece de acender
na paisagem submersa
a eterna condenação da vida;
porque
anda vertiginoso
o tempo de amanhar a terra
– e as moças no viço –
e discernir nelas com as pontas dos dedos,
os descaminhos das sombras
e do mel
e arar profundo o ventre da paixão
até que não encontre mais
a estrada do retorno
e a vida me falte
o tempo de amanhar a terra
– e as moças no viço –
e discernir nelas com as pontas dos dedos,
os descaminhos das sombras
e do mel
e arar profundo o ventre da paixão
até que não encontre mais
a estrada do retorno
e a vida me falte
e
a terra e a febre da paixão
me convertam em semente de encantados,
essa matéria que só se explica na morte
ou no ranger imperceptível da germinação…
me convertam em semente de encantados,
essa matéria que só se explica na morte
ou no ranger imperceptível da germinação…
Do
livro “O Porto Submerso”. Brasília: Edição do Autor, 2005.
*
Pseudônimo do poeta Hamilton Pereira.
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