Mudas, mudanças e reformas profundas
* Por
Ciro Porto
Na passagem de ano,
desejamos vida nova e realizações. No mundo das aves, o ano novo ocorre antes,
na primavera. Pouco antes do início da estação, as aves passam pela fase de
muda de penas e ficam mais bonitas.
Creio de podemos
seguir o exemplo das aves em nosso ano novo, trocando nossas penas a começar
pela “pena de mim”, sentimento que todos temos quando nos sentimos injustiçados
ou preteridos, ou quando acreditamos que o que fazemos não tem importância.
Quase sempre
trabalhamos buscando o sustento sem nos darmos conta que a nossa labuta também
contribui para a coletividade. Da mesma forma que um beija-flor ao se alimentar
do néctar das flores não percebe que ajuda as plantas a se reproduzir.
Quantas vezes nos
infligimos penas, punições que acreditamos estar condenados por não nos
julgarmos merecedores de uma vida melhor, ou ainda por sermos influenciados por
tantas notícias negativas. Acreditar nisso é uma pena severa demais que podemos
e devemos trocar.
Penso que também
podemos visitar o nosso interior, o profundo de nossos corações. Lá dentro
vamos encontrar outros sentimentos de pena, mágoas, desgostos e tristezas que
também podemos trocar. Sejamos como as aves capazes de sacudir as penas e
recomeçar sem rancores.
Com a pena em punho,
escrevemos o livro de nossas vidas e temos o direito de escolher escrever a
verdade ou rascunhar a mentira. Basta largar o que não serve, o que atrapalha,
o que não precisa ser carregado.
Nós observadores de
aves admiramos o voo, mas só conseguimos voar quando sonhamos e, para sonhar,
precisamos estar leves. Ao voar em um sonho, os riscos são maiores, mas basta
mudar a direção do voo e escolher um outro rumo diante do amplo horizonte.
Se você trocar as suas
penas vai se sentir não só mais leve, mas também mais alegre, com mais
entusiasmo em viver e, por que não dizer, em servir. Assim como as aves, você
terá criado, ou melhor, terá encontrado um novo ser, o verdadeiro ser. Só assim
o ano novo será de fato, novo. E tenha a certeza, vale a pena.
*
Jornalista.
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