sábado, 27 de junho de 2009




Deus e o Mundo

* Por Belo de Souza

Deus todo poderoso
Deu tanta beleza ao mundo
Fez o imenso e o profundo
Mar de tantas aventuras.

Fez os campos, os passarinhos
Para servir de enfeito
Deus fez tudo perfeito
Curtos e longos caminhos.

Fez as flores, as lindas plantas
Para delas eu cuidar
Deus fez coisa chega encanta
E o homem deve amar.

Fez a chuva. Oh! Que beleza!
Para a planta não morrer
Fez tudo com clareza
Enfeitou a natureza
Pra nela o homem viver.

Fez a luz, o sol brilhante
As montanhas, as lindas serras
Fez os rios gigantes
O Amazonas em nossas terras.

Deus todo poderoso
Ainda fez a criatura
Fez o livro majestoso
Que chamamos de escritura.

Depois de tudo feito
Deus apenas contemplou
E viu que tudo era bom
Então ele abençoou.

Deus o criador
Nós filhos devemos honrar
A Ele, o nosso amor
E ao seu mundo venerar.

* Poeta paraibano, autor do livro “Sentimento das horas”.



Cogito

* Por Torquato Neto

eu sou como eu sou
pronome.
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível.

eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora.

eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim.

eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranqüilamente
todas as horas do fim.

* Poeta

Mais dia menos dia

* Por Nelson Ascher

Coágulos de perda
de tempo, adiamento,
atraso e espera, ou seja,
minúsculas metástases

de caos se interpõem entre
— irrelevante qual
dos dois corre na frente
—a tartaruga e Aquiles

(o débito na conta;
no trânsito, a demora;
um ácido no estômago;
frente ao correio, a fila;

o mofo no tecido;
nos músculos, a inércia;
cupins na biblioteca;
sob o tapete, o lixo;

um óxido no ferro;
nas pálpebras, o sono)
e, como que aderindo,
à guisa de entropia,

ao âmago dos nervos,
embotam mais um pouco
o ritmo do arraigado
relógio biológico.

(Do livro “Algo de Sol”, Editora 34, São Paulo, 1996).

* Poeta

sexta-feira, 26 de junho de 2009


Leia nesta edição:

Editorial – Realidade dá baile na ficção.

Coluna Pássaros da mesma gaiola – Daniel Santos, crônica “Michael Jackson ou Shirley Temple”

Coluna Contrastes e confrontos – Urariano Mota, crônica “Final de Copa do Mundo”.

Coluna Do real ao surreal – Eduardo Oliveira Freire – texto, “Pílulas literárias (X)”.

Coluna No sopro do Minuano – Rodrigo Ramazzini, conto “A vida de um desconhecido cronista”.

Coluna Porta Aberta – Clara dos Anjos, crônica “Impeça-me!”

Obs.: Se você for jornalista, atuar em qualquer área de Comunicação, ou for estudante dessas disciplinas e queira participar deste espaço, encaminhe seus textos para o editor do Literário: pedrojbk@gmail.com. As portas sempre estarão abertas para a sua participação.


Realidade dá baile na ficção

O destaque desta edição é a oportuna crônica de Daniel Santos, que trata de uma das figuras mais fascinantes e ao mesmo tempo controvertidas do nosso tempo, o cantor e “showman” Michael Jackson, que morreu, ontem, nos Estados Unidos.
A carreira e, sobretudo a vida deste astro da música pop compõem um enredo tão dramático e surreal que nenhum escritor, por mais competente e criativo que fosse, conseguiria criar. Nem mesmo Franz Kafka faria uma história com as componentes de originalidade e absurdo como foi a deste cantor.
Daniel Santos traça, com argúcia e pertinência, um paralelo da vida desse fascinante personagem com a de Shirley Temple, a “menininha prodígio” de Hollywood, que encantou as platéias norte-americanas (e do mundo todo) na primeira metade do século XX, com suas peripécias, travessuras e, sobretudo, com seu precoce talento.
As crianças, todavia, crescem. E a garotinha travessa, que encantava as sensíveis mamães (hoje vovós, quando não bisavós) também cresceu. E embora tenha sido nomeada embaixadora dos Estados Unidos, transformou-se, na verdade, em figura caricata e obscura, muito distante do prodígio que foi em sua dourada infância.
Refletindo sobre a vida dessas duas personagens emblemáticas, é o caso de, com uma caveira nas mãos (como o Hamlet, de Shakespeare) repetir a surrada (mas sempre verdadeira) exclamação latina: “sic transit gloria mundi”. O papel principal da literatura, aliás, é exatamente o de suscitar reflexões, não importa se inspiradas em pessoas e ocorrências reais ou se em situações que sejam fruto exclusivo da imaginação e talento dos escritores.
Reitero o que não canso nunca de afirmar: somos testemunhas oculares do nosso tempo. Nossos textos, que não raro passam batidos dos olhares dos leitores desavisados, em um futuro nem tão remoto assim serão preciosos documentos de um período da história humana. É esse caráter documental que dá importância e validade àquilo que escrevemos.

Boa leitura.

P Editor.



Michael Jackson ou Shirley Temple?

* Por Daniel Santos

Os meninos brancos são mais felizes. Os meninos brancos bem vestidos são ainda mais felizes. Os meninos brancos bem vestidos e que tomam sorvete, esses nem se fala. Mas melhor mesmo é viver a infância!

A infância foi, no entanto, o que vetaram ao “virtuose” da talentosa família Jackson – esse tal Michael ... nem preto nem branco, nem criança nem adulto, nem homem nem mulher: ele, sim, metamorfose ambulante!

Viveu enclausurado na Terra do Nunca, a sua Neverland, na pífia fantasia de Peter Pan. Mas este era menino por pirraça existencial e que se negava a crescer, enquanto Michael, mesmo adulto já, vivia regredido.

Quanto mais velho, mais a voz esganiçava-se na vã tentativa de se convencer (mais que ao mundo) da própria pureza, e mal disfarçava o medo de que alguém lhe dissesse que a vida não é rosa, mas encardida.

Maior o medo, maior o grito ... que nunca foi de revolta. E como se revoltar, se tinha de renovar disfarces para escapar aos mortos-vivos de “Thriller” (todos lembram da obra-prima, claro) que lhe faziam o cerco?

Pois tanto correu dos monstros que ultrapassou a própria vida e, agora, não pode mais voltar. Sim, foi-se de vez! Pequeno e indefeso em excesso para suportar uma realidade que nunca entendeu, abdicou-se!

O mundo há de prantear essa perda; mais ainda os Estados Unidos, que assinalam uma relação metafórica com o grande astro: chega a hora de os americanos saberem que, por força da crise, terminou a bonança.

Nunca mais as mansões, os carrões ... Ah, nunca mais! Mas quem lhes dirá isso? Obama está tentando, mas o poder de convencimento depende da capacidade de autocrítica, de se aceitar um pouco menor.

Ou encara-se a iminência de uma nova ordem mundial, ou restará aos americanos a zanga dos pirracentos. Aí, em vez de Michael Jackson, veremos o prodígio Shirley Temple espernear numa fúria sem glórias.

* Jornalista carioca. Trabalhou como repórter e redator nas sucursais de "O Estado de São Paulo" e da "Folha de São Paulo", no Rio de Janeiro, além de "O Globo". Publicou "A filha imperfeita" (poesia, 1995, Editora Arte de Ler) e "Pássaros da mesma gaiola" (contos, 2002, Editora Bruxedo). Com o romance "Ma negresse", ganhou da Biblioteca Nacional uma bolsa para obras em fase de conclusão, em 2001.





Final de Copa do Mundo

* Urariano Mota


Nelson Rodrigues já havia escrito, com todo seu gênio e cinismo, que a seleção brasileira de futebol era “a pátria em calções e chuteiras, a dar rútilas botinadas, em todas as direções, como um centauro truculento”. Que cínico, nos dizíamos, que cínico e safado, praguejávamos, porque naquele ano de 1970 a distância e o distanciamento não eram possíveis. Estávamos em uma ditadura militar, o ditador Médici utilizava a seleção como uma arma da Pátria contra o comunismo, e dizia aos maus brasileiros, aos subversivos, aos terroristas, “Brasil, ame-o ou deixe-o”. Nas fotos, os olhos claros do ditador, os vincos a descer na sua carranca possuíam a expressão de um vampiro.

Em 21 de junho de 1970, portanto, o clima não era bom, não podia, não deveria ser bom. Para os que andavam de mal com a ditadura, o tempo não estava bom. Apesar de cair em um domingo.

Meus amigos Mário Sapo, Spinelli e Anael bem que procuraram ocupação mais digna que ver a final da Copa do Mundo. Missão, como o título de um seriado da televisão da época, missão impossível. Ainda que fossem a um convento, entre as orações e cânticos dos frades santos, não conseguiriam. Havia um clima, essa expressão que viemos a conhecer depois. Mas era mais que “um clima”. Havia uma final de copa do mundo escrita nas nuvens, no céu, no mar. O selecionado brasileiro de futebol estava em todas as coisas. Nos jornais, na televisão, no cinema, nas escolas, nas ruas, no amor, nas conversas. Aliás, outro assunto não era possível, a partir de todo e qualquer tema. – E a seleção?, perguntava-se a troco de nada, e o rumo na conversa mudava.

Para complicar, havia um complicador, se nos permitem a complicação. Havia um complicador para o alheamento dos amigos àquela imensa alienação, àquela estupidez da alienação dos povos, àquele ópio dos ignorantes: a Copa do Mundo de 1970, assim mesmo, em maiúsculas, era a primeira Copa transmitida pela televisão. Ao vivo, como diziam. Do México, com imagens transportadas de um satélite. O que bem poderia ser dito por João Saldanha: “Meus amigos, toda realidade exterior ao futebol hoje está suspensa”.

Missão impossível para Mário, Spinelli, Anael, e todos militantes socialistas do Brasil. Em algum lugar deve haver uma lição da dialética que ensina: se as missões se tornam impossíveis, o melhor é conviver com a sua impossibilidade. Mas não sabíamos disso então. Esta página ainda nos era arrancada, ou devia estar escrita em sânscrito intraduzível. Ninguém nos disse. Mário, o mais velho de nós, teve um primeiro recuo tático.

- Olha, a massa está sendo manipulada. A ditadura está usando esse jogo para sair fortalecida.... – Primeira parte do discurso, indispensável, para não ser execrado. - .... Agora.. – Segunda e problemática parte, a mais importante. - ... Agora, a gente não pode ser contra a massa. A gente não pode ser contra o povo. Se o povo está assistindo...

- Populismo, caralho. Se o povo está assistindo, nós também vamos assistir? É isso?! – cortava Spinelli. – A vanguarda repete a massa, é isso?

- Sim, Lênin – voltava Mário. – Sim, Lênin...

Ao que o magro Anael, sabedor por intuição e experiência aonde levavam os argumentos de Mário (libação, álcool, que ninguém é de ferro), intervinha, como um votante, porque democrático era o processo:

- Eu estou com Mário. O povo é quem sabe o rumo. – E adaptava um refrão: - Ruim com o povo, pior sem ele.

- Sim, mas - Sentia-se encurralado Spineli. – Sim, mas...

Mas antes que entrassem em discussão as categorias do conhecimento, o que é o povo, o que é a massa, o que é a vanguarda, e o tempo histórico, e sua urgência e emergência, Mário, o mais velho, propunha:

- Vamos discutir isso no Savoy.

O Bar Savoy era uma festa, sempre. Foi para ele que Carlos Pena escreveu “são trinta copos de chope / são trinta homens sentados / trezentos desejos presos / trinta mil sonhos frustrados”. Foi lá que a Jomard Muniz de Brito ocorreu que “o Recife é um chope”. Foi para ele que os personagens de Os Corações Futuristas estenderam os olhos mendigos de cerveja, porque ali se podia beber a felicidade em mesinhas de ferro. O Savoy era uma festa.

Os nossos amigos, os nossos, naquelas circunstâncias, heróis, sentaram-se a um canto, um pouco à margem do aglomerado, que rodeava um dos televisores no Savoy. Diabo de copa do mundo, vieram ali para conversar os próximos rumos do movimento e do Brasil. De costas para a alienação. Acintosamente alienados da alienação. No entanto, Mário, sempre o mais precavido dentre nós, sentou-se de frente para a televisão. Porque ver, o simples ver, não atrapalha, ou não devia atrapalhar toda e qualquer desenvolvimento da argumentação, da mais reles matéria à metafísica.

- A gente aqui pode falar à vontade. Ninguém nos escuta - Spinelli dizia. E por isso retomava: - A Revista da Civilização é a melhor frente de esquerda hoje no Brasil. Vocês viram a deste mês?

- Eu prefiro a fonte. Eu prefiro o original - Anael argumentava, um tanto incômodo e angustiado, pelo rumor às costas.

- É, é..... Mário ia respondendo, enquanto movia os olhos, pensativo, mui pensativo, a todo e qualquer encaminhamento da dialética que ouvisse.

- Não, rapaz, em relação a muita coisa, Nelson Werneck Sodré não é reformista, entende?

- Claro... É... – Mário ia respondendo.

Havia uma tensão no ar, uma carga explosiva que se ia acumulando, sem alarde. Um movimento surdo passando, que ninguém percebia, ainda que todos dele participassem. Um coletivo de gozo ou desespero a irromper. Então de repente, como se por força de um comum desejo, no décimo e oitavo minuto da exposição do destino dos povos, o povo mais próximo, no Savoy, explode:

- Gooool! Gol, gol, gol! Goool!

Mário, por estar mais integrado à massa, por esse motivo também se levantou:

- Gool! É gol, é gol...

Spinelli e Anael, como bons subversivos, escolados (“a primeira tarefa do revolucionário é não se denunciar”), por isso também se ergueram:

- Gol! Foi gol, cara.... De quem, de quem?

E Mário, o flexível, o flexível atento, anunciou:

- De Pelé. De Pelé, porra!

- Ah, tinha que ser – reconheceu o mais sábio.

Os garçons do Savoy, mais atentos que todos os atentos, comemoravam, e em igual movimento de comemoração enchiam as mesas de cervejas, e entre as mesas a dos nosso heróis. Que se achavam, na altura dos 20 minutos de jogo, os próprios terroristas disfarçados. Fantasiados de povo, a beber no Savoy, em jogo de copa do mundo. Mas não demoraram muito no disfarce, ainda que isto lhes parecesse uma eternidade. A máscara caiu aos 38, ainda no primeiro tempo da fantasia e da defesa.

- gol.....foi gol... Porra, que merda! Presta atenção, seu porra! Manda essa bola pra tua mãe... - ouviu-se, foi-se ouvindo, aqui e ali, às costas, à frente, de lado, do teto e das paredes, do chão e da Avenida Guararapes.

- gol, foi gol....

Um carrasco de nome Boninsegna havia driblado o nosso goleiro, o verdadeiro herói lá na televisão, e sem piscar enfiou o empate da seleção da Itália. Mário, o tático, assumiu então as suas características de sapo, porque inflou as bochechas e mal olhava agora para a pequena tela, como se estivesse na iminência de coaxar. Anael lhe seguia, com movimentos na bochecha, à sua imagem e semelhança. Na verdade, à direita, à esquerda, acima e abaixo da ditadura, todos no Savoy ficaram meio sapo, de papo inchado, carrancudos, raivosos. Spineli, ao ver a geografia humana ao redor, susteve a frase na garganta, “futebol é alienação”, e achou mais prudente, e natural, ficar em terra de sapo de cócoras com ele. Em silêncio, todos danaram-se a beber, que os garçons de Savoy serviam bem na alegria e na desgraça. Mercenários, tiravam partido da pátria em qualquer circunstância.

Acabado o primeiro tempo, quase todos no Savoy tiveram a mesma idéia, porque se aglomeram no banheiro. Ambiente para lá de carregado, elétrico. Spinelli, magro e desengonçado, entra no círculo ácido do mijo. E até hoje ele não sabe por que razão, e até hoje ele oculta dos seus o momento raro do perigo que passou, e que soubemos depois do abismo. Na volta do banheiro, em um corredor estreito e infernal, ele esbarra em um popular irado, nervoso e tenso. Esbarrou por acaso, por maldito azar, mas o popular, essa categoria ótima para uma tese, mas bem arisco ao vivo, assim não entendeu.

- Tá cego ? – E empurrou o nosso amigo contra a parede.

Spinelli, alto para os padrões do Recife, lutador de judô em aulas clandestinas, porque assim faria a segurança nas passeatas, reagiu ao empurrão. Ou seja, empurrou o popular de volta, como quem cumprimenta e vai embora. (Não era sua intenção saber o valor prático das aulas orientais que recebera, naquela hora e em outras.) Que faz, que fez? O popular lhe responde com um mais vigoroso empurrão. Spinelli volta, como se a parede do estreito corredor fosse um elástico, que lhe desse um exemplo da terceira lei de Newton. E volta com o impulso da sua pequena massa inercial, somente para dar um instante breve de resposta ao segundo empurrão. Nisto, e como prova insofismável de que a toda desgraça corresponde outra maior, surge um indivíduo tão alto quanto o nosso amigo, porém mais volumoso em carnes, vontade de brigar e músculos. Que vinha a ser o amigo do popular irritado. E lhe diz, a Spinelli:

- Ei, magro, é briga, é?

Spinelli olhou de cima a baixo, e da direita para a esquerda o homem-guarda-roupa. Sabemos nós, a distância, que os manuais de filosofia ensinam que só se deve correr quando houver possibilidades de espaço e circunstância. Mas o que não se encontra em nenhum manual, nem nos melhores livros, foi a resposta de gênio que achou o nosso amigo, naquela hora de angústia, agonia, desespero e aflição. Acreditem e creiam, porque em pleno intervalo do jogo final da copa do mundo, o nosso amigo gritou, com os braços erguidos e levantados:

- Viva o Brasil!

O amigo do popular, espantado com aquele golpe baixo, de gênio, reagiu como bom patriota. Abraçou Spinelli como se abraça um companheiro de torcida.

- Viva! Viva o Brasil!

Com as costas ainda a estalar nos ossos, o nosso amigo voltou ao abrigo de nossa mesa. E todos assistimos ao final de Brasil e Itália. De frente para a pequena tela, para melhor integração. E comemoramos, e pulamos, e gritamos gol. Sem remorso e sem dor na consciência. E saímos de lá abraçados e bêbados rumo ao Zumbi, onde morava Mário Sapo. Felizes a cantar. Afinal, estávamos todos metidos em nossa face legal. A de patriotas, no país de calções e chuteiras.

* Jornalista e escritor