domingo, 28 de junho de 2009




Dicas do Editor

São as seguintes as dicas de leitura do Editor para esta semana:

1. As sandálias do pescador – Morris West - Romance.
2. O advogado do diabo – Andrew Neiderman – Romance.
3. Descanse em paz, meu amor – Pedro Bandeira – Romance.
4. Mundo sem fim – Ken Follett – Romance.
5. A hora da estrela – Clarice Lispector – Romance.
6. Renato Russo: o trovador solitário – Arthur Dapieve – Arte.
7. Tantas palavras – Chico Buarque - Arte.
8. Sociedades secretas – Sylvia Browne - História.
9. A lição final – Randy Pausch – Auto-ajuda.
10. Dor de cabeça, o que ela quer com você – Dr. Mário Peres - Saúde.

Lançamentos:


Título: Apresentação da poesia brasileira.
Autor: Manuel Bandeira
Sinopse:
Para apresentar nossos poetas ao leitor estrangeiro, Manuel Bandeira preparou este volume que, na verdade, são dois livros em um. A primeira parte traz um panorama crítico dos poetas, escolas e movimentos, de José de Anchieta ao Concretismo. A segunda parte se organiza como uma antologia – 125 poemas de 55 poetas, dos clássicos, como a “Canção do Exílio” e “Navio Negreiro”, aos achados de Bandeira, como os bissextos Pedro Nava e Pedro Dantas, chegando até Augusto de Campos e Ferreira Gular, então com vinte e poucos anos de idade. Editora Cosac NAify. Preço: R$ 69,00.

Título: Casa Mondavi – Ascensão e queda de uma dinastia do vinho
Autor: Julia Flynn Siler
Sinopse:
Escrito com base em mais de 500 horas de entrevistas, o livro monta um retrato de Robert Mondavi, cujo caráter enérgico e desbravador o fez acumular imensa fortuna, rapidamente dilapidada sob o peso da rivalidade fraterna, da amargura e da ganância. Enquanto este obstinado produtor e comerciante de vinhos seguia em busca de suas paixões, familiares se arruinavam movidos pelo alcoolismo, o adultério e tentativas de suicídio. Editora G. Ermakoff. Preço: R$ 56,00.

Título: O mundo é curvo, perigos para a economia mundial
Autor: David M. Smick
Sinopse:
Num mundo curvo, é impossível determinar o que há além da linha do horizonte. Essa é a imagem criada pelo autor para ilustrar a economia global contemporânea e apresentar uma análise da construção do sistema financeiro atual, revelando aos leitores segredos negociados nas salas de bancos centrais , empresas multinacionais e em gabinetes de ministros e presidentes. David explica por que a crise imobiliária norte-americana pode ser apenas a ponta do iceberg da instabilidade financeira. Este livro é destinado para todos os que querem entender os meandros da globalização e se precaver das conseqüências de negociações escusas no âmbito da economia mundial. Editora Best Seller. Preço: 39,90.

Título: Carta para você
Autor: Rosalind Porter e Joshua Knelman (organizadores)
Sinopse:
Um homem apaixonado escreve a uma mulher casada, sem saber que sua carta pode cair em mãos erradas; outro publica anúncios no jornal à procura de sua amante, que sumiu sem deixar vestígios. Uma mulher, após uma noite de amor, envia e-mails obsessivos sem ter resposta; outra responde por carta, emocionada, a um pedido de casamento. Um cupido escreve um anúncio em que cobra por seus serviços; um chimpanzé declara o seu carinho a uma primatologista. O livro reúne biografias, diários, memórias e correspondências. Editora Alfaguara Brasil. Preço: R$ 39,90.


Título: A construção social da cor – Diferença e desigualdade na formação da sociedade brasileira
Autor: José D’Assunção Barros
Sinopse:
O autor busca discutir como, a partir dos fundamentos do sistema colonial e da escravidão africana no Brasil, foi socialmente construída a idéia de uma raça negra por oposição à idéia de uma raça branca. Além de abordar a escravidão do período moderno contrastando-a inicialmente com a escravidão antiga e discutindo os modos como os conceitos de desigualdade e diferença têm interagido, a partir da formação da sociedade brasileira, nos discursos, práticas e representações que em alguns casos ainda persistem no mundo contemporâneo. Editora Vozes. Preço: 39,00.

Título: Mapas para amantes perdidos
Autores: Nadeen Aslam
Sinopse:
Amor e intolerância religiosa. Em uma cidade ao norte da Inglaterra, o casal paquistanês, Jugnu e Chanda desaparece. Os dois viviam juntos em uma união informal, o que fere as leis do islamismo. Na comunidade de imigrantes, há boatos de que a família dos amantes os teria punido como resposta ao desrespeito sagrado. Alguns dias depois, o casal é encontrado morto. É este justamente o ponto de tensão do romance do escritor paquistanês Nadeen Aslam, radicado na Inglaterra desde os 14 anos. Editora Record. Preço: R$ 49,00.

Título: Ciências sociais – Para aprender e viver
Autor: Marco Aurélio Nunes de Barros
Sinopse:
As ciências não substituirão a política na tarefa de construir uma vida melhor, mas compreender melhor a sociedade e a vida social pode cooperar para o surgimento de uma classe de pessoas comprometidas com a vida coletiva mais humana, solidária, sustentável, democrática ou uma vida decente. Editora Lúmen Júris. Preço: R$ 35,00.



Livros mais vendidos

(Semana de 24 de junho a 1° de julho de 2009)

Fonte: Revista Veja

FICÇÃO

1. A Cabana – William Young [ 1 42] SEXTANTE
2. Crepúsculo – Stephenie Meyer [ 3 56#] INTRÍNSECA
3. Lua Nova – Stephenie Meyer [ 2 37] INTRÍNSECA
4. Eclipse – Stephenie Meyer [ 4 23] INTRÍNSECA
5. Leite Derramado – Chico Buarque [ 6 13] COMPANHIA DAS LETRAS
6. O vendedor de sonhos – Augusto Cury – [ 7 49#] – ACADEMIA DA INTELIGÊNCIA
7. Os homens que não amavam as mulheres – Stieg Larsson – [ 8 7#] - SEXTANTE
8. Anjos e demônios – Dan Brown – [ 5 116#] - SEXTANTE
9. O caçador de pipas – Khaled Hosseini – [ 10 168#] – NOVA FRONTEIRA
10. A cidade do sol – Khaled Hossein – [ 0 65#] – NOVA FRONTEIRA
11. A menina que roubava livros – Markus Susak – INTRÍNSECA
12. O pequeno príncipe – Antoine de Saint-Exupéry – AGIR
13. O vendedor de sonhos e a revolução dos anônimos – Augusto Cury – ACADEMIA DA INTELIGÊNCIA
14. Marcada – P. C. Cast e Kristin Cast – NOVO SÉCULO
15. O senhor dos anéis-Edição completa – J. R. R. Tolkien – MARTINS FONTES
16. Formaturas infernais – Várias autoras – GALERA RECORD
17. O menino de pijama listrado – John Boyne – COMPANHIA DAS LETRAS
18. A menina que brincava com fogo – Stieg Larsson – COMPANHIA DAS LETRAS
19. Indignação – Philip Roth – COMPANHIA DAS LETRAS.
20. A caça de Harry Winston – Lauren Weisberger - RECORD

NÃO- FICÇÃO

1. Comer, rezar, amar – Elizabeth Gilbert [ 1 64] OBJETIVA
2. Mentes perigosas – Ana Beatriz Barbosa Silva [ 2 31#] FONTANAR
3. O clube do filme – David Gilmour – [ 6 2] - INTRÍNSECA
4. Marley e eu – John Grogan [ 3 140#] PRESTÍGIO
5. 1808 – Laurentino Gomes [ 5 89] PLANETA
6. Uma breve história do mundo – Geoffrey Blainey [ 5 74] - FUNDAMENTO
7. 1000 lugares para conhecer antes de morrer – Patrícia Shultz [ 10 46#] – SEXTANTE
8. Uma breve história do século XX – Geoffrey Blainey [ 8 31] - FUNDAMENTO
9. Resistência – Agnes Humbert – [ 9 ! 10#] – NOVA FRONTEIRA
10. Renato Russo – o filho da Revolução – Carlos Marcelo – [ 0 1] – AGIR
11. Gomorra – Roberto Saviano – BERTRAND BRASIL
12. Maioridade penal – Rogério Ceni e André Pilhal – PANDA
13. O crime do restaurante chinês – Boris Fausto – COMPANHIA DAS LETRAS
14. O ponto da virada – Malcolm Gladwel – SEXTANTE
15. A viúva Clicquot – Tilar J. Mazzeo – ROCCO
16. Dewey – Vicki Myron e Bret Witter – GLOBO
17. 1001 filmes para ver antes de morrer – Steven Jay Schneider – SEXTANTE
18. A grande história da evolução – Richard Dawkins – COMPANHIA DAS LETRAS
19. Vips – Histórias reais de um mentiroso – Mariana Caltabiano - JABOTICABA
20. Revolução na cozinha – Jamie Oliver – GLOBO

AUTO-AJUDA E ESOTERISMO

1. Cartas entre amigos – Fábio de Melo e Gabriel Chalita – [ 1 7] - EDIOURO
2. Quem Me Roubou de Mim? – Fábio de Melo [ 2 31] CANÇÃO NOVA
3. O Código da Inteligência – Augusto Cury [ 4 32] THOMAS NELSON BRASIL
4. Vencendo o passado – Zibia Gasparetto [ 3 29] VIDA E CONSCIÊNCIA
5. A Arte da Guerra – Sun Tzu – [ 10 63#] – VÁRIAS EDITORAS
6. O Monge e o Executivo – James Hunter – [ 0 227#] – SEXTANTE
7. Casais inteligentes enriquecem juntos – Gustavo Cerbasi – [ 6 158#] – GENTE
8. Família de alta performance – Içami Tiba – [ 9 2] – INTEGRARE
9. Gêmeas - não se separa o que a vida juntou – Mônica de Castro – [ 8 7] - VIDA & CONSCIÊNCIA
10. A cabeça de Steve Jobs – Leander Kahney – [ 0 19#] – AGIR
11. Espíritos entre nós – James Van Praagh – SEXTANTE
12. O ciclo da autossabotagem – Stanley Rosner e Patrícia Hermes – BEST SELLER
13. Nunca desista de seus sonhos – Augusto Cury – SEXTANTE
14. Salomão o homem mais rico que já existiu – Steven K. Scott - SEXTANTE
15. Os segredos da mente milionária – T. Hary Eker - SEXTANTE
16. Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes – Stephen Covey – BEST SELLER
17. O segredo – Rhonda Byrne – EDIOURO
18. A História – The Zondervan Corporation – SEXTANTE
19. O poder do agora – Eckhart Tole - SEXTANTE
20. A lei da atração – Michael J. Losier – NOVA FRONTEIRA

[AB#] – A] posição do livro na semana anterior
B] há quantas semanas o livro aparece na lista
#] semanas não consecutivas

Fontes: Balneário Camboriú: Livrarias Catarinense; Belém: Laselva; Belo Horizonte: Laselva, Leitura; Betim: Leitura; Blumenau: Livrarias Catarinense; Brasília: Cultura, Fnac, Laselva, Leitura, Nobel, Saraiva, Siciliano; Campinas: Cultura, Fnac, Laselva, Siciliano; Campo Grande: Leitura; Caxias do Sul: Siciliano; Curitiba: Fnac, Laselva, Livrarias Curitiba, Saraiva, Siciliano; Florianópolis: Laselva, Livrarias Catarinense, Siciliano; Fortaleza: Laselva, Siciliano; Foz do Iguaçu: Laselva; Goiânia: Leitura, Saraiva, Siciliano; Governador Valadares: Leitura; Ipatinga: Leitura; João Pessoa: Siciliano; Joinville: Livrarias Curitiba; Juiz de Fora: Leitura; Jundiaí: Siciliano; Londrina: Livrarias Porto; Maceió: Laselva; Mogi das Cruzes: Siciliano; Mossoró: Siciliano; Natal: Siciliano; Navegantes: Laselva; Niterói: Siciliano; Petrópolis: Nobel; Piracicaba: Nobel; Porto Alegre: Fnac, Cultura, Livrarias Porto, Saraiva, Siciliano; Recife: Cultura, Laselva, Saraiva; Ribeirão Preto: Paraler, Siciliano; Rio Claro: Siciliano; Rio de Janeiro: Argumento, Fnac, Laselva, Saraiva, Siciliano, Travessa; Salvador: Saraiva, Siciliano; Santa Bárbara d'Oeste: Nobel; Santo André: Siciliano; Santos: Siciliano; São José dos Campos: Siciliano; São Paulo: Cultura, Fnac, Laselva, Livrarias Curitiba, Livraria da Vila, Martins Fontes, Nobel, Saraiva, Siciliano; São Vicente: Siciliano; Sorocaba: Siciliano; Uberlândia: Siciliano; Vila Velha: Siciliano; Vitória: Laselva, Leitura, Siciliano; internet: Cultura, Fnac, Laselva, Leitura, Nobel, Saraiva, Siciliano

sábado, 27 de junho de 2009


Leia nesta edição:

Editorial – Preconceito sem sentido.

Coluna Jornalista do Sertão – Seu Pedro, crônica “Já ando em curto-circuito”.

Coluna Clássicos – Alcântara Machado, conto “A insigne Cornélia”.

Coluna Porta Aberta – Nelson Ascher, poema “Mais dia menos dia”.

Coluna Porta Aberta – Torquato Neto – poema, “Cogito”.

Coluna Porta Aberta – Belo de Souza, poema “Deus e o Mundo”.

Obs.: Se você for jornalista, atuar em qualquer área de Comunicação, ou for estudante dessas disciplinas e queira participar deste espaço, encaminhe seus textos para o editor do Literário: pedrojbk@gmail.com. As portas sempre estarão abertas para a sua participação.


Preconceito sem sentido

Qualquer tipo de preconceito, seja em relação a o que for, é nocivo e, portanto, condenável. O próprio significado da palavra já sugere o quão insensato e perigoso é esse comportamento. Preconceber alguma coisa é formar juízo sobre ela sem nenhum conhecimento prévio a respeito. Se, portanto, nos relacionamentos sociais é condenável, em Literatura descamba para a burrice explícita.
Há, neste vasto campo, objeto da nossa preocupação diária e razão de ser desta nossa revista eletrônica, inúmeros preconceitos, em especial a propósito de alguns gêneros. O alvo maior desse comportamento nocivo e sem sentido é a novela (embora a poesia também seja vista com maus olhos por muitos) e, por extensão, a dramaturgia em geral.
Inúmeros intelectuais, com empáfia e arrogância, torcem o nariz face a essa autêntica “mania nacional”, grande filão de audiência das emissoras de televisão, notadamente da Rede Globo. Alguns, acusam-na de disseminar maus-hábitos e comportamentos imorais entre as pessoas, principalmente as menos instruídas e mais imaturas, no caso, crianças e jovens. Bobagem!
Dizia-se o mesmo, por exemplo, no século XIX (e boa parte do século XX) a propósito do romance. Era comum, em colégios internos, professores proibirem expressamente aos alunos a leitura de livros desse gênero. Este Editor, inclusive, passou por esse tipo de constrangimento quando jovem.
Literatura não forja e nunca forjou comportamentos e muito menos os nocivos e atentórios à moral e bons costumes, como argumentam os moralistas de plantão. Limita-se a reproduzir a vida como ela é, ou como poderia (e às vezes deveria) ser.
Moralidade e imoralidade estão na cabeça das pessoas. Ademais, esse conceito varia com os tempos e gerações. Muita coisa que já foi tida como “imoral”, num passado não muito remoto, hoje é encarada como normalíssima e vice-versa. Em arte, não existe moralidade ou imoralidade (desde que a obra seja, de fato, artística). O que há é bom ou mau-gosto. Mas isso já é uma outra história...
A novela, aliás, é não somente alvo de preconceito, mas até um gênero de difícil caracterização, por ser limítrofe. Há quem, por exemplo, negue que sequer exista, caracterizando-a ou como um conto mais extenso, ou como um romance mais curto. Entendo, todavia, que essa é uma questão meramente acadêmica e sem nenhuma relevância para quem quer que seja. É o mesmo que discutir “sexo dos anjos” ou algo que o valha.
Defendo, sim, a difusão do gênero na televisão e, ao contrário dos seus detratores, vejo nisso até um benéfico efeito didático, num país em que a educação ainda é cheia de imperfeições e considerada “privilégio” de determinadas classes sociais. Ademais, cabe exclusivamente aos pais esclarecer os filhos sobre a natureza do que assistem na telinha, distinguindo o que é nobre, bom e saudável do que é vicioso, inoportuno e errado.
Há quem tenha a mania de achar que “todas” as pessoas são estúpidas, imaturas e tolas e que são influenciáveis pelas histórias mais simples e banais, que, na verdade, se analisadas com rigor e bom-senso, não passam de “água com açúcar” quando comparadas aos terrores, patifarias e taras da vida real. Idiotas da objetividade, por favor, deixem as pessoas sonhar!!!

Boa leitura.

O Editor.



Já ando em curto-circuito

* Seu Pedro

Quando a energia elétrica aumenta a tensão, o que eu noto pelo giro do ventilador cujas palhetas saem da brisa suave indo para um vendaval, ou pelas lâmpadas que clareiam mais e me trazem a impressão que vão estourar, a isto se chama “pico de energia”. Por ser assim, quando ela sai dos 220W, padrão aqui da Bahia, e vai para abaixo dos 200, eu pego o telefone e reclamo. E sei que está assim porque meu computador apaga, me fazendo perder crônicas, artigos e notícias, na maioria na finalização do texto. A minha taxa de glicemia sobe e eu saio do sério. Se isto acontecesse uma vez ao ano, menos mau. Mas há dias em que acontece tantas vezes que a cada hora me aborreço por um ano.

E isso acontece depois de haver levado para o conserto o estabilizador de computador, o que não pode ser consertado, após três dias consecutivos com o desce e volta da energia da Coelba, concessionária que atende pessimamente este sertão, ao ponto de haver deixado dezenas de cidades às escuras por dois dias, no fim de ano de 2007. Foi a queda de um poste da linha de transmissão. Imaginem se caem dois!

Irritado e com atitude de nada amigo, telefonei para reclamar. E não o faço pelo fone reclamação via 0800, pois a cada ordem da gravação para apertar a tecla de um número, e são tantas, o número de minha glicemia, causado por minha diabete emocional, sobe intoleravelmente. Ainda mais se a voz do outro lado disser: “Aguarde um minuto”, que comigo já chegou a vinte minutos, e quem sabe quanto seria se eu não houvesse desligado.

Foi mal para meu emocional telefonar para a gerência local quando do outro da linha um funcionário graduado da empresa, até amigo em algumas horas, vestindo a camisa surrada e apertada da empresa, tentou justificar: “Mas nem sempre é culpa da empresa, os moradores ligam muitos aparelhos...”. Antes que dissesse “ao mesmo” tempo deu vontade de lhe dizer uma feiúra verbal.

E para quê então servem os aparelhos?! Por isso, para que não me aleguem que não houve “pico”, eu, doravante, chamarei as quedas de voltagem de “buraco negro”. Aquele em que nada se vê, assim como não vemos algum bom atendimento na empresa, que só sabe mandar diretores a cada falha, tal como nas setenta e duas horas de breu.

Acho que, não só a mim, mas a muitos consumidores, a “vingança” chegou quando a Defensoria Pública do Estado denunciou o “estelionato da Coelba”, ou “golpe do seguro”, através do núcleo de Defesa do Consumidor. A justiça tem em mãos uma ação civil pública contra a empresa, por esta contrariar o código ao oferecer, em paralelo ao último extrato de consumo mensal, um seguro opcional de forma equivocada.

Agora é torcer para que, sem oscilações, aplique pesada multa, e que seja aumentada em dobro por seu descaso neste sobe e desce da energia, não só causando o prejuízo material, mas a perda pelo tempo parado, o agravamento das doenças dos diabetes ou das cardiovasculares, e ainda a chateação do preenchimento de tantos formulários e a longa espera pela indenização. Que saudades do lampião de querosene! Pena que ainda não inventaram um computador movido a tal combustível!

(*) Seu Pedro é o jornalista Pedro Diedrichs, editor do jornal Vanguarda, de Guanambi, Bahia.




A insigne Cornélia

* Por Alcântara Machado

(Dona Cornélia Castro Freitas)

O sol batia nas janelas. Ela abriu as janelas. O sol entrou.
- Nove horas já, Orozimbo! Quer o café?
- Que mania! Todos os dias você me pergunta. Quero, sim senhora!
Não disse palavra. Endireitou a oleogravura de Teresa do Menino Jesus (sempre torta) e seguiu para a cozinha. O café já estava pronto. Foi só encher a xícara, pegar o açúcar, pegar o pão, pegar a lata de manteiga, pôr tudo na bandeja. Mas antes deu uma espiada no quarto do Zizinho. Deu um suspiro. Fechou a porta à chave. Foi levar o café.
- E a Folha.?
- Acho que ainda não veio.
- Veio, sim senhora! Vá buscar. Você está farta de saber...
Para que ouvir o resto? Estava farta de saber. Trouxe a Folha. Voltou para a cozinha.
- Aurora! Ó Aurora!
Pensou: essa pretinha me deixa louca.
- Onde é que você se meteu, Aurora?
Pensou: só essa pretinha?
Começou a varrer a sala de jantar. E a resolver o caso da Finoca. O médico quer tentar de novo as injeções. Mas da outra vez deram tão mal resultado. Será que não prestavam? Farmácia de italiano não merece confiança. Massagem é melhor: se não faz bem mal não faz. Só se doer muito. Então não. Chega da coitadinha sofrer.
- A senhora me chamou?
Tantas ordens. Esperar a passagem do verdureiro. Comprar alface. Não: alface dá tifo. Escolher uma abobrinha italiana, tomates e um molho de cheiro. Lavar a cozinha. Passar o pano molhado na copa. Matar um frango. Fazer o caldo da Finoca. Não se esquecer de ir ali no Seu Medeiros e encomendar uma carroça de lenha. Mas bem cheia e para hoje mesmo sem falta.
A indignação de Orozimbo com os suspensórios caídos subiu ao auge:
- Porcaria de casa! Não tem um pingo de água nas torneiras!
- Na cozinha tem.
Encheu o balde. Levou no banheiro.
- Por que não mandou a Aurora trazer?
- Não tem importância.
Pisando de mansinho entrou no quarto da Finoca. Ajeitou a colcha. Pôs a mão na testa da menina. Levantou a boneca do tapete. Sentou-a na cadeira.
Endireitou o tapete com o pé. Apesar de tudo saiu feliz do quarto da Finoca.
- Então?
- Sem febre.
- Não era sem tempo. O Zizinho já se levantou?
Deu de varrer desesperadamente. Orozimbo olhava sentado com os cotovelos fincados nas pernas e as mãos aparando o rosto. Os chinelos de Cornélia eram de pano azul e tinham uma flor bordada na ponta. Vermelha com umas cousas amarelas em volta. Antes desses que chinelos ela usava mesmo? Não havia meio de se lembrar. De pano não eram: faziam nheque-nheque. De couro amarelo? Seriam?
- Como eram aqueles chinelos que você tinha antes, hem, Cornélia?
- Por que você quer saber?
- Por nada. Uma idéia. Diga.
- Não me lembro.
Está bem. Levantou-se. Espreguiçou-se. Deu dois passos.
- Onde é que vai?
- Ver se o Zizinho está acordado.
Cornélia opôs-se. Deixasse o menino dormir, que diabo. Só entrava no serviço às onze horas. Tinha tempo. Depois a Aurora estava lavando a cozinha. Molhar os pés logo de manhã cedo faz mal. Quanto mais ele que vivia resfriado. Não fosse não.
- Vou sim. Tem de me fazer um serviço antes de sair.
Cornélia ficou apoiada na vassoura rezando baixinho. Prontinha para chorar. E ouvia as sacudidelas no trinco. E os berros do marido. Depois o silêncio sossegou-a. Recomeçou a varrer com mais fúria ainda.
Orozimbo entrou judiando do bigode. Deu um jeito no cós das calças e arrancou a vassoura das mãos da mulher.
- Que é isso, Orozimbo? Que é que há?
- Há que o Zizinho não dormiu hoje em casa e há que a senhora sabia e não me disse nada!
- Não sabia.
- Sabia! Conheço você!
- Não sabia. Depois ele está no quarto.
- A chave não está na fechadura!
- Então já saiu.
- E fechou a porta! Para quê, faça o favor de me dizer, para quê?
Então Cornélia puxou a cadeira e atirou-se nela chorando. Orozimbo andava, parava, tocava piano na mesa, andava, parava. Começava uma frase, não concluía, assoprava a ponta do nariz, começava outra, também não concluía. Parou diante da mulher.
- Não chore. Não adianta nada.
Depois disse:
- Grande cachorrinho!
E foi pôr o paletó.
Cornélia enxugou os olhos com as mãos. Enxugou as mãos na toalha da mesa. Ficou um momento com o olhar parado na Ceia de Cristo da parede. Muito cautelosamente caminhou até o quarto do Zizinho. Tirou a chave do bolso do avental. Abriu a porta. Começou a desfazer a cama depressa. Mas quando se virou deu com o Zizinho.
- Ah seu... Onde é que você andou até agora?
- Quem? Eu?
- Quem mais?
- Eu? Eu fui a Santos com uns amigos...
- Você está mentindo, Zizinho.
- Eu, mamãe? Não estou, mamãe. Juro. Vá jurar para seu pai.
Zizinho tirou o chapéu. Sentou-se na cama. Esfregava as mãos. Maria olhava para ele sacudindo a cabeça.
- Por que que a senhora mesma não explica para papai, hem? Faça esse favorzinho para seu filho, mamãe.
Disse que não e deixou o filho no quarto bocejando.
Orozimbo quando soube da chegada do Zizinho quis logo ir arrancar as orelhas do borrinha. Mas ameaça ir - resolve ir depois, resolve ir mesmo - precisa ficar por causa das lágrimas da mulher, precisa dar uma lição no pestinha - a raiva vai diminuindo: não foi. Seja tudo pelo amor de Deus. Depois se o menino virasse vagabundo de uma vez, apanhasse uma doença, fosse parar na cadeia, ele não tinha culpa nenhuma. A culpa era todinha de Cornélia. Ele, o pai, não queria responsabilidades.
- Você não almoça?
- Vou almoçar com o Castro. Eu lhe disse ontem.
- Tem razão.
- Mas não se acabe dessa maneira!
- Não. Até logo.
- Até logo.
Zizinho jurou que outra vez que tivesse de ir para Santos com os amigos avisava os pais nem que fosse à meia-noite. E Cornélia estalou uns ovos para ele. Estavam ali na mesa satisfeitos porque tudo se acomodou bem.
- A senhora não come?
- Não. Estou meio enjoada.
Finoca de vez em quando levantava um gemido choramingado no quarto e ela corria logo. Não era nada graças a Deus. Cousas da moléstia.
Antes de sair Zizinho fez outra promessa de cigarro aceso: assim que chegasse na Companhia iria pedir perdão ao pai. Daria esse contentamento ao pai.
Tudo se acomodou tão bem. Cornélia ajudada pela Aurora pôs a Finoca na cadeirinha de rodas.
- Mamãe leva o benzinho dela no sol.
Costurar com aquela luz nos olhos.
- Mamãe, leia uma história pra mim.
Livro mais bobo.
- É melhor você brincar com a boneca.
- Não, mamãe. Eu quero que você leia.
A formiguinha pôs o vestido mais novo que tinha e foi fiar na porta da casa. Fiar criança brasileira não sabe o que é: a formiguinha toda chibante foi costurar na porta da casa dela. O gato passou e perguntou pra formiguinha: Você quer casar comigo. formiguinha? A formiguinha disse: Como é que você faz de noite?
- Miau-miau-miau!
- Viu? Você já sabe todas as histórias.
- Mas leia, mamãe, leia.
A costura por acabar. Tanta cousa para fazer. Um enjôo impossível no estômago. A formiguinha preparou as iguárias ou as iguarias?
Aurora ficou toda assanhada quando viu quem era.
- Ó Dona Isaura! Como vai a senhora, Dona Isaura?
- Bem. Você está gorda e bonita, Aurora.
- São seus olhos, Dona Isaura! Muito obrigada!
O vestido vermelho foi furando a casa até o terraço do fundo. Não quis sentar-se Era um minuto só. Mexia-se. Virava de uma banda. De outra.
- Eu vim lhe pedir um grande favor, Cornélia.
Aurora encostada no batente da cozinha escutava enlevada.
- Vá fazer seu serviço, rapariga!
Não foi sem primeiro ganhar um sorriso e guardar bem na cabeça o feitio do vestido. Atrás principalmente.
- Você não imagina como estou nervosa!
- Mamãe como vai?
Vai bem. Mas não é mamãe não. É a Isaurinha. Você não pode imaginar como a Isaurinha está impertinente, Cornélia. É um horror! Quase me acaba com a vida! Hoje de manhã não quis tomar o remédio. E agora às duas horas tem que tomar justamente aquele que ela mais detesta. Só em pensar, meu Deus!.
Até Finoca sorria com a boneca no colo. Isaura abriu a bolsa e passou uma revista demorada no rosto e no chapéu levantando e abaixando o espelhinho.
- Titia está muito bonitinha.
Virou-se de repente, fechou a bolsa e fez uma carícia na cabeça da menina.
- Que anjo! Olhe aqui, Cornélia. Eu queria que você por isso me fizesse a caridade (olhe que é caridade) de dar daqui a pouco um pulo lá em casa. Isaurinha com você perto toma o remédio e fica sossegada. Tem uma verdadeira loucura por você, não compreendo!
Cornélia que estava implicando com a toalha de banho ali no terraço levantou-se, pegou a toalha, dobrou, chamou a Aurora, mandou levar a toalha no banheiro. Aurora foi recuando até a sala de jantar.
E você, Isaura, onde se atira?
- Eu? Ah! Eu vou, imagine você, eu tenho cabeleireiro justamente às duas horas. Mas você me faz o favor de ir ver a Isaurinha, não faz?
- E a Finoca?
Isaura deu logo a solução:
- Você leva na cadeira mesmo. Põe no automóvel.
- Que automóvel?
Pensou em oferecer o dinheiro. Mas desistiu (podia ofender, Cornélia é tão esquisita) e disse:
- No meu! Ele me leva na cidade, depois vem buscar vocês.
- Está bem.
Deixaram a menina no terraço e foram para o quarto de Cornélia. Isaura estava entusiasmada com a companhia de revistas do Apolo. Cornélia não podia imaginar. Que esperança. Nem Cornélia nem ninguém. Só indo ver mesmo. Era uma maravilha. Na última peça principalmente tinha um quadro que nem em cinema podiam fazer igual. Toda a gente reconheceu. Chamado No Reino da Quimera. Quando a cortina se abria aparecia um quarto iluminado de roxo (uma beleza) com uma mulher quase nua deitada num sofá e fumando num cachimbo comprido. Bem comprido e fino. Era um tango: Fumando Espero. Há? Que lindo, hem? Depois entrava um homem elegantíssimo com a cara do Adolfo Menjou. Mas a cara igualzinha. Uma cousa fantástica. Outro tango (bem arrastado): Se Acabaron los Otarios.
Cornélia passou a mão na testa, caiu na cadeira diante do toucador.
- Que é que você tem?
- Nada.
Um ameaço de tontura.
- Você não almoçou?
- Não. Nem cheiro da comida eu suporto..
Isaura olhou bem para a irmã. Teve pena da irmã.
- Será possível, Cornélia?
Levantou a testa da mão. Deixou cair a testa na mão.
Então Isaura não se conteve e começou a dar conselhos em voz baixa. Não fosse mais boba. Havia um meio. E mais isto. E mais aquilo. Não tinha perigo não. Fulana fazia. Sicrana também. Ela Isaura (nunca fez, não é?) mas se precisasse faria também, por que não? Ninguém reparava. Pois está claro. Religião. Que é que tem religião com isso? Estarem ali se sacrificando? Não.
Mas Cornélia ergueu o olhar para a irmã, fez um esforço de atenção:
- Não é o choro da Finoca?
Não era. Parecia que sim. Era sim. Não era. Era no vizinho.
- E então?
- Isso é bom para as mulheres de hoje, Isaura. Eu sou das antigas...
Insensivelmente a gente abaixa os olhos.
Está bem. Desculpe. Não se fala mais nisso. Até loguinho, Cornélia. Eu mando o automóvel já. Até loguinho. E muito obrigada, sabe:
A irmã já estava longe quando ela respondeu devargarzinho:
- Ora... de nada...