sábado, 14 de junho de 2014

Monólogo da despedida

* Por Leandro Barbieri


Senhores, senhoras... Boa noite... Este monólogo que vocês estão assistindo é a última aparição desta personagem neste palco. Estas palavras são minhas últimas palavras diante desta platéia, destes holofotes, detrás desta cortina.

Não se entristeçam por mim. Eu já estou habituado a estas saídas repentinas e inexplicáveis que a vida me impõe. Quando entrei neste palco algo me dizia que ele não seria eterno, que eu aqui não seria eterno.

O que deixo para trás é bonito. As lembranças são agradáveis. Os momentos inesquecíveis. E é isso que me causa a agonia da dor. A agonia de despedir-me daquilo que por tempos me entreteve, me fascinou, me fez viver.

A fase que deixo agora me fará falta. Alguns dias de sofrimento me assolarão até que a última página seja realmente virada. Até que a imagem daquele sorriso torne-se uma dor constante que, de tão constante, não doa mais.

Alguns sonhos estão sendo deixados de lado. Lágrimas que deveriam ser derramadas e até sorrisos que poderiam remotamente serem trocados, serão esquecidos. As possibilidades tornam-se agora certezas. As certezas passam a não mais importar.

Esta é a sensação do fim. Um vazio dormente que machuca de tão silencioso.

* Roteirista, diretor e pesquisador de Telenovelas nacionais. Escreveu Retrato da Lapa  (a primeira novela da TV a Cabo brasileira) e Umas & Outras (a primeira novela da Internet), as quais também dirigiu em parceria com Silvia Cabezaolias. Assina o roteiro da webnovela Alô Alô Mulheres na allTV, onde é diretor do núcleo de dramaturgia.


Nenhum comentário:

Postar um comentário