Eu também quero “engrevidar”
* Por
Alexandre Vicente
Antes de começar a
escrever sobre o tema, quero deixar claro que não sou contra qualquer movimento
legítimo de reivindicação de melhoria de condições de trabalho. Acho que todos
têm o direito de lutar por seus salários, reconhecimento, equiparações. Está
claro, caro leitor?
Pois bem, todo mundo
agora quer entrar em greve. A ordem do dia é essa. Greve de garis, bombeiros,
professores, coletivos etc. Todo mundo quer tirar uma casquinha, e o que mais
escutamos é: “Imagine na Copa?”
Bom. A Copa. A Copa
foi o canto da sereia. Todo mundo queria a Copa. Todas as vezes em que ficamos
de fora da escolha como sede, lamentamos
porque os organizadores não sabiam fazer a apresentação e que só mostravam
cabrochas, praias e samba. Verdade. Mas eles não estavam errados. O que nós
temos são: cabrochas, praias e samba. Só esqueceram de mostrar os corruptos,
que são o contrapeso. É sujeito oculto da oração.
Quando mudaram a
apresentação e conseguimos a “honra” de sediar a Copa, vieram as festas, as
promessas e os projetos. Hoje, faltando um mês, temos greves, obras inacabadas,
desvio de verbas, cambistas, especulação imobiliária (pessoas alugando suas
residências por preço de até 10% do valor do imóvel por um mês), gritos de “Não
vai ter Copa” e, pasmem, cabrochas, praias e samba.
Uma salva de palmas
aos primeiros marqueteiros que fizeram os vídeos que mostravam o que realmente
temos. Eles é que estavam certos. Se só tínhamos o triunvirato da picardia,
mostrar mais o quê? Venham para o Brasil, assistam os jogos e façam turismo
sexual.
Olhemos para nosso
próprio rabo. Somos os maiores culpados. Nós pedimos a Copa, nós elegemos os
capitães do Estado para a Copa e nós pagamos e vendemos ingressos por preços
abusivos para a Copa. Até o bombeiro, que era o paladino da moral, vende
ingresso superfaturado para os jogos da Copa.
O que fazer se esse
ranço maldito está enraizado em nosso sangue? Somos todos farinha do mesmo
saco. O bem é conveniente até onde me convêm.
Estamos pagando caro
por essa aventura. Que fique de lição, pois como diria o ladrão: “Perdeu,
Playboy”. Então “Deixa a menina sambar em paz!”
E agora eu pergunto:
“Imagine nas Olimpíadas?”
Maio de 2014
*
Escritor e compositor
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