O esportista vereador
*Por
Mouzar Benedito
O massagista Mário
Américo, nascido em Minas Gerais, ganhou fama na Copa Mundial de futebol de
1958. Cada vez que algum atleta brasileiro se machucava, entrava em campo
aquele crioulão simpático, para socorrer nossos heróis Garrincha, Didi, Nilton
Santos, Pelé…
Perto do final do
regime militar, quando só existiam dois partidos legalizados, a Arena (a favor
do governo) e o MDB (oposição consentida, que às vezes se levava a sério),
Mário Américo se candidatou a vereador pelo MDB em São Paulo. Sua campanha foi
mais baseada nas mãos que massagearam os ídolos do futebol do que nas idéias
que o massagista tinha na cabeça, mas deu certo. Ele ganhou. E até não
decepcionava muito como vereador, apresentando projetos criados pela assessoria
do MDB.
Mas aí veio a
reformulação partidária, quando Arena virou PDS. MDB virou PMDB e surgiram PT,
PDT e PTB. Mário Américo, como alguns outros políticos, foi cooptado por Paulo
Maluf, que liderava os simpatizantes do regime militar em São Paulo. Então, em
vez de ir para o PMDB, Mário Américo foi para o PDS malufista.
Aí, chegou à fase de
votação em plenário de um projeto apresentado à Câmara de Vereadores pelo
próprio Mário Américo, quando era oposicionista. Mas ele recebeu ordens dos
seus novos aliados: tinha que votar contra, pois o projeto desagradava o
prefeito nomeado, Reynaldo de Barros, e seu padrinho, Paulo Maluf. E aconteceu
a aberração: Mário Américo votou contra um projeto dele mesmo. Foi desancado
por um vereador do PMDB, que fez um discurso violento contra o massagista,
supostamente “comprado” por Paulo Maluf. Depois de ouvir um monte de adjetivos
pouco edificantes, Mário Américo pediu um aparte e falou bravo, com dedo em
riste:
— Vossa Excelência
está ofendendo a minha excelência!
*
Jornalista
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