O
telefonema
* Por Rodrigo
Ramazzini
- Alô. Bruna? Pode falar?
- Aqui ó... Essa será a primeira e a
última vez que eu vou te falar. Não me liga mais! Por favor.
- O quê? O que houve Bruna?
- Não me liga mais! Não quero saber. Se
quer namorar a minha prima o problema é teu. Te vira! Eu não tenho porque te
ajudar...
- Bruna! O que é isso?
- Não me liga mais! Faz por ti cara. Se
ela não te quer, não será eu quem vai fazer ela trocar de idéia.
- Bruna! Não estou te entendendo.
- Eu já estou cheia destas tuas ligações.
Enchi saco já! Te vira sozinho. Por que eu tenho que ser a intermediária?
- Mas Bruna, eu achei que as minhas
ligações...
- Não me liga mais! Quer namorar ela?
Quer ficar com ela? É simples: liga direto pra ela então! E pára de me torrar a
paciência...
- Se queres assim...
- Até o meu namoro está prejudicado com
essas ligações fora de hora. Eu não tenho vocação para psicóloga de rejeitados!
- Eu sempre achei...
- Achou errado. Não me liga mais! Está
dado o recado. Tchau!
No outro dia
- Alô Bruna? Pode falar?
- Sim. Tudo bem, gatinho?
- Eu só estou ligando para te pedir
desculpa se fiz algo errado, e, para te pedir uma explicação...
-Explicação sobre o quê?
- Ora sobre o quê? Sobre ontem, né!
Aquele xingamento todo sem explicação...
- Não acredito que acreditastes
-Não entendi?
- Ah ah ah!
- O que foi?
- Tu acreditastes! Era pura cena. O meu
namorado andou vasculhando o meu celular e viu o teu número várias vezes nas
chamadas recebidas. Esqueci completamente de apagar. Ele ficou desconfiado.
Normal! Daí, eu disse que o número era de um chato que queria ficar com a minha
prima e queria a minha ajuda. Ele não acreditou muito...
- E?
- E quando me ligaste ontem, eu estava
com ele. Ele reconheceu o número por causa deste maldito final zero zero.
Então, não tive dúvida. “Meti a boca” em ti!
- Ah ah ah! É
isso então!
- É!
- A encenação foi tão perfeita que eu
acreditei mesmo!
- Homens...
- O teu namorado acreditou?
- Claro! Os homens são muito bobos.
- Olha! As novelas estão perdendo uma
bela atriz. Ah ah ah! Nada como ter uma amante inteligente e
criativa.
- Amante não! É muito vulgar.
- Caso extra-oficial?
- Melhorou!
- Quando nos vemos?
* Jornalista e cronista
Amores e desamores, começando e terminando por ação da tecnologia.
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