Pensamentos
confusos e sentimentos conflitantes
* Por
Eduardo Oliveira Freire
Escrevo.
Meu Deus, o computador está fazendo um barulho estranho; toca uma
música da Madona que adoro, mas não sei o título, sou assim, não
guardo nome de música; vários pensamentos passam por minha cabeça.
O
dia está nublado e abafado, estava no ônibus, queria preencher um
formulário, mas não conseguia por causa das freadas do ônibus;
tenho que caminhar; vou fazer concurso público; está chegando o
final do ano, o tempo está passando rápido, lembro-me que quando
criança, ele parecia que passava devagar.
Continuo
a escrever, estou esperando algo acontecer; são 18:28; o barulho de
novo no computador, tomara que não estrague outra vez; de novo está
tocando uma música que gosto, mas não sei o nome dela e nem quem
canta; quero arriscar, tudo ou nada, não quero mais me guardar,
prefiro me machucar, vou tentar, não aguento ficar mais na inércia,
tenho que aproveitar o restinho de juventude; em algumas ocasiões.
Sonho
que saio da minha janela e me transformo num dragão voador; medo,
quero riscar essa palavra do meu dicionário; amanhã tenho que tirar
xerox, ir para oficina de conto que estou fazendo, levo duas horas
para chegar lá; estou com um conto que não me sai da cabeça, quero
fazer uma paródia do livro O Retrato de Dorian Gray.
O
meu conto será O Retrato de Dolores Gray, que narra a história de
Dolores, uma moça que nasceu com uma bunda escultural; um fotógrafo
ficou tão admirado com suas nádegas que pediu à moça que deixasse
tirar uma foto; no início, ela não quis, ficou com vergonha, mas a
mãe incentivou: "Filha, sua bunda é linda! Não desperdice o
que deus lhe deu", Dolores sempre escutou mãe, foi um sucesso
só.
Dolores
ficou tão admirada com sua bunda, que desejou que ela nunca ficasse
velha, o tempo passou e suas nádegas continuam lindas, mas no
retrato (que o fotógrafo deu especialmente para ela) a bunda era
outra, totalmente muxibenta, Dolores escondeu o retrato e... aí
pensarei num desfecho para essa paródia mais tarde, estou sem saco
agora.
São
19:00, é Horário de Brasília, acho um saco; quero continuar a
escrever; quero ler de novo Sol e Aço de Yukio Mishima; adoro
desenhos de mangá, tem um que não consigo esquecer: A Viagem de
Chihiro; como serei daqui à vinte anos; morte, nem penso nisso,
abafa o caso; está escuro, vou ligar a luz, voltei e desliguei o
rádio.
Queria
ler todos os textos dos sites literários, mas não posso, se não, a
conta de telefone vem alta; a INTERNET é um mar de possibilidades e
de aprendizagem, porém, para mim, impossível aproveitá-la
totalmente; fico num conflito quase existencial, me perco no
emaranhado de links e sites ou economizo, para a conta não vir alta;
ainda não me acostumei a ler na tela do computador e não sei se é
o meu monitor, mas as letras das páginas digitais são, na maioria
das vezes, muito pequenas, tenho até dor de cabeça.
Hoje
é tudo muito rápido, meu ritmo é mais lento; parece que sempre
estou em defasagem, não estou me subestimando, é meu jeito de ser;
imagino imagens em minha cabeça, gostaria de ser pintor para
reproduzi-las; ter uma opinião sobre tudo, não consigo; estou
esperando, desejo que algo aconteça; às vezes, tudo está tão
silencioso, que deitado na minha cama, só escuto as batidas do meu
coração, isso me deixa um pouco agoniado, o silêncio é pra
poucos.
Chega
de escrever, se não, ninguém vai entender e nem eu mesmo; quero
escrever o agora, mas não consigo, quando acabo de pensar, ao
colocar no papel, já foi; erro muito escrevendo, por isso apago o
texto e escrevo de novo, fico um pouco triste de errar tanto, porém
descobri que antes da perfeição há os defeitos…
*
Formado em Ciências Sociais, especialização em Jornalismo cultural
e aspirante a escritor - http://cronicas-ideias.blogspot.com.br/
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