Tango das rosas rubras
* Por
Celeste Fontana
Em transe
Na palidez da aurora
No brilho dos céus desconhecidos
Vejo-te
Pervagas como pluma
Tua imagem fluida plana no ar
Inominada ,inominável
Antes do escuro e depois da luz
Porque no sol e na noite
Imperecível ela se faz
Estranha imagem!
Colhes estrelas
Pisas as nuvens
E danças...
Danças um tango
O mesmo daqui de antes
Quando se anunciava o amor
É ele!
Aquele mesmo tango
O que de ti agora se apropria
Inolvidável tango das rosas rubras
Que posto em ritual noturno
Embriaguez de flores nos excedia
Dançávamos
Mãos entrelaçadas, asas nos pés
Ao vento
Na chuva
Ou sob estrelas caindo
No jardim, dançávamos
Onde a plateia eram somente as petúnias
Tecido em nossas mentes
O tango das rosas rubras se anseia
Rodopia em pensamentos
Versa em danças etéreas
Nos entrelaçamos de novo
E flutuamos
No palco azul contíguo à lua
Onde dançam apenas virgens e anjos
* Escritora e poetisa
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