Minha dose de ilusão
* Por
Evelyne Furtado
Há quem diga que
precisamos nos despir de todas as ilusões para amadurecermos. Para alguns
cépticos nenhuma crença é consistente, a não ser a que eles professam aos
quatro cantos. Só crêem naquilo que podem enxergar.
Diante dessas pessoas
tenho, às vezes, a nítida sensação de que sou extremamente pueril. Em algumas
ocasiões vou me encolhendo dolorosamente na medida em que seus argumentos
crescem.
Concordo que o
processo de desencantamento é necessário ao amadurecimento e admito que até bem
pouco tempo eu me esquivava da desilusão a todo custo. Não deu para continuar e
enfrentei o que pude sem a visão cor de rosa que eu emprestava ao mundo.
Também ultrapassei a
fase de negar sem sequer ouvir a outra parte. Hoje ouço, pondero, considero e
me ponho de joelhos, até, perante as novas pretensas verdades.
Mas não me movimento
bem nessa posição. Passado algum tempo ponho-me de pé outra vez e o que me
ergue são as minhas crenças restauradas. Novinhas e bem aventuradas ilusões!
Se há inocência nas
minhas fantasias, creio que também há um pouco de ingenuidade no pretensioso
realismo. Em alguma coisa os cépticos convictos devem se sustentar, pois cá
para nós, eu não conseguiria ir do começo ao fim da vida totalmente descrente.
Se alguém consegue essa proeza que vá sem mim. Eu preciso de minha dose de
ilusão.
*
Poetisa e cronista de Natal/RN
Eu a invejo, Evelyne. Gostaria de acreditar em alguma coisa. Viver cheia de sonhos e ilusões não é ser mais e nem menos do que quem em nada crê. É apenas ser de uma maneira diferente.
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