Brisa
marinha
*
Por Stéphane Mallarmé
Fugir!
Eu sei que há pássaros já doudos
Por
se ver entre os céus e a espuma do alto-mar!
Nada,
nem os jardins refletidos no olhar,
Retêm
o meu olhar que já no mar se aninha,
Nem,
ó noite, a luz da lâmpada sozinha
Sobre
o papel vazio, intangível de brilho,
E
nem a mulher moça amamentando o filho.
Hei
de partir! Vapor de mastros oscilantes
Ergue
a âncora para regiões extravagantes!
Um
Tédio desolado, entre anseios intensos,
Ainda
acredita no supremo adeus dos lenços!
E
esses mastros, talvez, cheios de maus presságios,
São
dos que um vento faz vergar sobre os naufrágios
Sem
ilhas férteis e sem mastros de veleiros…
Mas,
ó minha alma, ouve a canção dos marinheiros!
*
Poeta simbolista francês, integrante do grupo que se convencionou
chamar de “Os Cinco Poetas Malditos”.
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