Marielle
e o ódio fascista na internet
*
Por Altamiro Borges
O
assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) causou uma comoção
nacional. Milhares de manifestantes saíram às ruas em várias
cidades em 15 de março para exigir justiça e o fim da onda de ódio
e preconceito que cresceu no país desde a cruzada golpista contra a
nossa democracia.
Até
a TV Globo, que sempre inviabilizou a luta das forças democráticas
por direitos humanos, foi forçada a recuar, tentando capturar o
sentimento de revolta da sociedade. Mas nas redes sociais, os
fascistas voltaram a sair do esgoto para destilar seu veneno.
Alimentados por alguns “calunistas” da mídia tradicional e por
grupelhos da extrema-direita, eles culparam a própria vítima pela
barbaridade cometida.
Os
comentários no site Antagonista, editado por “celebridades” da
velha imprensa – como Diogo Mainardi, da TV Globo, e Mário Sabino,
ex-chefão da Veja –, mostram que tipo de gente foi chocada nesta
cloaca. Um internauta doente rosnou: “Ela não queria uma polícia
e a guarda metropolitana desarmados? Colheu o que plantou”. Outro
mais psicopata atirou: “Parece que a vereadora nutria uma simpatia
pelos manos, já que nunca se viu ela lamentar pelos policiais mortos
covardemente pelos traficantes... Quem semeia ventos, colhe
tempestade”. Já outro maluco afirmou que a culpa pelo assassinato
é do “bando de vagabundos comunistas que destruíram o país e
provocaram o genocídio de 1 milhão de brasileiros”. Um quarto
babou: “Menos uma petralha no mundo”.
Como
estas excrecências – bastam estas para não causar vômito –,
são várias as mensagens festejando a morte de Marielle Franco,
atacando os que lutam por direitos humanos e demonizando as forças
de esquerda. O site Antagonista, assim como outras páginas de
extrema-direita, preferiram adotar a cautela nas suas postagens.
Mesmo assim, não esconderam seu ódio visceral às esquerdas e seu
apoio – sabe-se lá a que preço – à intervenção decretada
pelo covil golpista no Rio de Janeiro. “Ninguém sabe quem executou
a vereadora. É essencial, porém, que seus assassinos sejam
encontrados e punidos para dissipar qualquer dúvida em relação à
missão militar”, opinaram os militaristas e golpistas da página.
Já
o site do sinistro Movimento Brasil Livre (MBL) tentou minimizar o
assassinato da vereadora. “Sim, todos os homicídios no Brasil são
políticos. Todos os mais de 60 mil”. Para o grupelho fascista,
estes assassinatos decorrem da “desvalorização das polícias, da
glamourização de bandidos, da lei penal branda, da justiça que
manda soltar, do desarmamento do povo”. O vereador do MBL na
capital paulista, Fernando Holiday, até postou uma “nota de
pesar”, mas logo desferiu seus ataques doentios ao PSOL “pelo uso
político dessa tragédia”. Os caras são doentes! Ou para ser mais
preciso: são cúmplices dos assassinos de Marielle Franco!
´*Altamiro
Borges é jornalista e presidente do Centro de Estudos de Mídia
Alternativa Barão de Itararé.
Odiosas figuras do mal. #Mariellepresente.
ResponderExcluir