Tudo
é transitório
*
Por Fabiana Bórgia
Pode
parecer triste, mas não é. Simplesmente, tudo na vida é
passageiro. Vivemos de momentos, instantes que nunca mais voltam.
Não
consigo enxergar tristeza neste fato. Somos seres substituíveis, o
que não significa que somos descartáveis. Temos um ciclo. Seja no
trabalho, seja nos relacionamentos, seja no nosso próprio corpo.
A
sabedoria da vida não está apenas em fazer aquilo que se gosta, nem
em gostar daquilo que se faz, mas sim em fazer o que deve ser feito,
gostando ou não, e sem reclamar. A falta de reclamação aqui toma
um sentido mais profundo. Assume o sentido de que é preciso enxergar
o lado bom das coisas e aproveitar a chance para amadurecer.
No
meu caso, eu escolho plantar caminhos. E vou jogando sementes nestes
vários caminhos, que se tornam verdadeiras plantações. Quando um
acaba, sempre tenho outro a tomar. Existem alguns que eu ainda nem
percorri. Talvez nem haja tempo ao longo de minha existência para
isso, por ter plantado imensos latifúndios.
Só
não sou muito boa com a colheita, que demanda uma paciência de Jó.
Mas até isso tenho aprendido. E creio que a chuva vem no momento
certo.
Há
períodos de seca. Outros de dilúvio. Não me agrado com isso, mas
entendo. Entendo, porque viver é saber entender que a vida segue seu
curso, sem que você possa oferecer qualquer explicação.
O
segredo é aceitar. A própria limitação e a infinitude da
continuação, que talvez já não caiba mais a você, a mim, a nós.
Tudo
na vida é transitório. Esta é a maior lição de humildade que
aprendi.
*
Escritora
por vocação e advogada por formação. Paulista por natureza e
carioca por estado de espírito. Engenheira de sonhos: alguém em
eterna construção. Autora do livro “Traços de Personalidade”
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