Aniversário Surpresa!
* Por
Mara Narciso
Antes consulte um
cardiologista. Giselle, irmã da nossa colega Maria Helena Braz sabia do bom
coração da aniversariante e por isso mesmo quis lhe fazer uma surpresa. Lucília
Teixeira, a mentora do nosso reencontro via WhatsApp há um ano, quando criou o
“Grupo Meninas do CIC”, foi consultada. Outro grupo paralelo foi criado e no
estilo jogo rápido e sigilo absoluto doze amigas puderam participar. O chá das
cinco foi marcado, e deveríamos chegar quinze minutos mais cedo, deixando os
carros nas laterais, para não lotar a frente da casa, o que seria suspeito,
especialmente para coisa ruim. Clemar foi comprar o presente que seria custeado
por todas. Foram adquiridos calça e blusa. Em menos de 22 horas o circo de amor
estava montado.
Maria Helena,
ex-professora de dois cargos, mãe de três filhos e com cinco netos, mora em São
Francisco, e estava participando de um almoço festivo com os filhos. Como eles
sabiam do chá, abreviaram as comemorações para liberá-la a tempo de ela poder
se deslocar para Montes Claros. Aqui estava combinado com suas irmãs um
fictício passeio ao Montes Claros Shopping, seguido por uma sessão de cinema,
para comemorar o aniversário. Era o aviso para que ela viesse preparada.
Estavam confirmadas as
ex-colegas Inez, Margaret, Maria Luiza, Maria, Dulce, Lucília, Marise, Mercês,
Vera Helena, Clemar, Kátia e Mara. O cenário da festa, na casa de Giselle, dona
da ideia, foi arrumado numa área ampla nos fundos, com uma boa mesa de finos
bolos, biscoitos, chás e sucos variados. O músico Rei montou seu som, e
esperávamos pela figura mais importante, a dona da festa, aquela que não sabia
de festa alguma. A irmã foi buscá-la na casa da mãe, e na chegada, fomos
convidadas a ficar em silêncio. O que não é fácil considerando-se o encontro de
mulheres, algumas das quais tagarelas. Inocentemente, Maria Helena,
anteriormente conhecida por Leninha, atravessou a casa e o corredor lateral,
dando de cara com dez colegas de pé, sorridentes, aos berros de parabéns pra
você! (duas chegaram logo depois).
Ela deu um grito,
girou sobre o próprio corpo, e recuou dois passos, agarrando-se e, abraçando a
irmã com força, começou a chorar. A face era de genuína incredulidade. Outros
gritos, mais contidos ecoaram. Foi a surpresa perfeita e que fez seu coração
dar bons pulos. Pena não ter sido filmada no instante exato. Além da dona da
casa, duas das suas irmãs, Regina e Olga estavam presentes. Então, a
aniversariante partiu para a sessão de abraços, de explicações, de emocionada
felicidade. Daí por diante foi como todo aniversário, com música ao vivo, cujo
repertório foi do nosso tempo de meninas, troca de presentes (houve quem
trouxesse presentes em separado), e um tanto de conversa. Até ensaiamos uns
passinhos de dança, e de certa forma descontraídos, pois, mais uma vez,
estávamos sós, resgatando o tempo de estudantes do Colégio Imaculada Conceição.
E ainda que já soubéssemos em quem tínhamos nos tornado, muita novidade persiste
e o assunto não se esgota.
Depois do primeiro
encontro, num setembro quente na casa de Lucília, muitos outros aconteceram,
sendo de boa assiduidade, tanto no grupo que mora em Belo Horizonte, como no
daqui, sendo misturados sempre que possível. Tivemos muitas festas de
aniversário, passeios, visitas à fazenda (de Maria Luiza) e viagens, como a de
Diamantina, recentemente. Tais encontros têm modificado a vida de muitas de
nós, algumas já aposentadas, com pouca opção de companhia, exceto marido, filho
e neto, quando existem. Assim, só podemos render graças ao WhatsApp, à
capacidade agregadora de Lucília, ao espírito organizador de Clemar e àquelas
boas irmãs que nos proporcionaram uma tarde de doce convívio.
Piegas? Óbvio? A
amizade e o amor são sentimentos previsíveis! As suas parcas variações não
gastam uma quadra. Discordem o quanto quiserem.
*Médica endocrinologista, jornalista
profissional, membro da Academia Feminina de Letras e do Instituto Histórico e
Geográfico, ambos de Montes Claros e autora do livro “Segurando a
Hiperatividade”
Bacana. São os tais momentos felizes, que precisamos guardar em frascos de cristal. E viva o whatsApp.
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