Minimalismo é o máximo
* Por
Marcelo Sguassábia
Até outro dia restrita
ao mundo das artes, aos poucos ela vem virando a palavrinha da vez, nas rodas e
nas bocas de emergentes-celebration, aqueles descoladíssimos que conquistaram
seu lugar ao flash.
Em mínimas palavras, o
minimalismo é a doutrina que entende a felicidade do ser humano como
inversamente proporcional à quantidade de recursos ou bens materiais que se
possui. Ou, numa definição despojadamente simples, à moda minimalista: quanto
mais se livra daquilo que tem, mais rico e realizado o bípede se torna. Só o
elementar é bom o bastante. Tão somente o essencial, a plenitude da existência
compreendida como algo beirando a imaterialidade.
Por essas e outras
diáfanas definições, conclui-se que só tem estofo cultural e filosófico para
praticar o minimalismo quem já foi um dia "maximalista", quem já teve
do bom e do melhor vazando pelo ladrão. O endinheirado que entre uma festa e
outra, por algum motivo, desencantou-se com tantos e tão confortáveis
latifúndios, coberturas e iates onde cair morto. É assim que o minimalismo se
entende como escolha - um voto de pobreza, e não o infortúnio de tornar-se
pobre. Vá perguntar a um miserável que dorme debaixo da ponte se ele é
minimalista por necessidade ou por convicção, e saberá o que estou dizendo.
O minimalista legítimo
é o que se empapuçou de excessos, jamais o que não tem nada de nascença. Se
acha cool vivendo com pouco mas mora no Jardim América, não em Belford Roxo.
Escassez para ele jamais será privação; será clean. Excentricamente clean. No
seu apê, há paredes sóbrias e monocromáticas sem quadro algum pendurado, mas o
projeto é assinado pelo Sig Bergamin. Acelga e água frugalmente se equilibram
no microscópico cardápio da semana. A acelga já chega picadinha pelo Pão de
Açúcar Delivery, a água é San Pellegrino.
Ter nada é tudo. O
ouro que fique para os deslumbrados, para funkeiro-ostentação, para os que
nunca entenderão que esconder é bem mais chic e valioso que mostrar.
* Marcelo Sguassábia é redator
publicitário. Blogs: WWW.consoantesreticentes.blogspot.com
(Crônicas e Contos) e WWW.letraeme.blogspot.com
(portfólio).
A sutileza atingiu a sua perfeição. E de forma frugal.
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