Sutra
* Por
Assionara Souza
chove
torrencialmente
nem
por isso os homens se odeiam menos
corações
batem como mísseis
a
chuva não lava a alma
nem
a parte de carne que a reveste
mais
um navio afundou
o
que dizem as notícias?
o
mar quis engolir
os
desgraçados do mundo
levá-los
para o fundo abismo
onde
enfim dormirão em túmulos-casulos
embalados
pelo mover choroso de ondas
não
sei ao certo de quem me apiedar
as
palavras se formam no estômago
e
são vomitadas em bueiros-olhos
ao
se infiltrar no corpo
disparam
bombas de reação
irrompem-se
violentos discursos de paz
é
natural que todos morram
é
essencial que todos se matem
de
que é feita a corrente que aperta o pescoço?
controle,
opressão, vigilância.
alimentados
diariamente
com
parafernálias do consumo
babamos,
gritamos, sedentos de desejos
a
menos que a chuva nos invada de silêncio
será
impossível somente morrer
*
Escritora potiguar residente em Curitiba.
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