Robinson Crusoé
* Por
Afonso Arinos de Melo Franco
Eu quis construir um barco salvador
Que me libertasse do isolamento da minha ilha
deserta,
De minha ilha árida, cercada de águas violentas.
Aos poucos fiz crescer sobre a artéria virgem
O casco possante,
A proa alta, orgulhosa como ave migradora.
Dei-lhe remos que furassem o ventre das ondas.
Dei-lhe velas,
As grandes velas brancas que o fizessem deslizar...
Oh! o desejo de abandonar para sempre a solidão
impenetrável
E fugir livremente pelas águas largas e azuis!
Só depois de ter gasto todo o meu esforço
Foi que vi que meu barco era enorme, pesado,
E que eu nunca conseguiria arrastá-lo até o mar.
*
Jurista, professor, político, historiador, crítico, ensaísta e memorialista,
membro da Academia Brasileira de Letras.
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