Renego-te, tristeza!
* Por
Carmo Vasconcelos
Não há ninguém nem coisa que destrua
Esta alegria que, inata, em mim aflora!
Foi-me insuflada numa santa aurora
Ânima que a Deus rogo: sempre flua!
Vejo a tristeza tal um passarinho
A voar sem rumo, de asa derrubada,
Porque o seu ninho ruíu em derrocada,
Prostrando os filhos mortos no caminho.
Enquanto sustiver Deus a minh’asa,
Meu caloroso ninho em pouso certo,
Meus filhos junto a mim, coração perto...
A tristeza não há-de vir-me a casa!
E até na minha viagem derradeira,
A alegria terei por companheira!
*
Escritora portuguesa, poetisa, declamadora, tradutora e revisora literária.
Arte em estado puro, com boa dose de força.
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