Tecnologia, um catalisador do amor
* Por
Mara Narciso
Enquanto alguns
reivindicam o uso da internet às pessoas que sobre elas têm certa autoridade,
outros estão se decidindo se isso é necessário ou não e ainda outros garantem
não sentir falta dela. Não é possível ter saudades do que não se conhece, assim
como é inviável não se utilizar dessa tecnologia. É como se negar a usar a luz
elétrica.
Na era da
industrialização a mecânica inundou o mundo, e desde o seu advento a internet
fez o mesmo caminho, mostrando-se como um bem universal. A invasão foi tão
rápida que ainda estamos tontos, tentando colocar ordem no uso dela, uma
ferramenta com um poder tal que exige estudos, ainda que sua força esteja à
vista de todos.
Primeiro veio a má
fama, o destaque do lado perverso do ser humano, enquanto os benefícios
simultâneos não gozaram da mesma divulgação. Falo da internet pessoal e seu uso
caseiro, pois a universal instalou-se sem pedir opinião. Quanto mais a
tecnologia é usada, bem usada, mal usada, exageradamente utilizada (desde as
conexões discadas e caras, levando os estudantes a se ligarem nela após a
meia-noite, e irem à escola de manhã com proveito zero), mais o vício é
ventilado, tal como os crimes pela rede.
Não é recente, mas um
aspecto palpitante é a ação desta ferramenta em despertar sentimentos, os mais
variados, começando pelo ciúme, desejo e concretização de infidelidade,
descobertas de traições, assim como início e fim de amizade e amor. Destila-se
ódio pela rede. Uns atacam, outros defendem e ainda outros se omitem.
O mundo virtual copia
a face social verdadeira, espelhando a realidade. Não são mundos paralelos e
sim complementares, e o que se faz num afeta diretamente o outro. Isso precisa
ser lembrado por todos. O rastreamento é possível, e, caso haja pontas soltas,
o bem e o mal serão encontrados. O errado nem sempre se lembra disso. Estar
conectado é ter acesso a tudo de bom e ruim que a sociedade produziu e
produzirá. Cada um pode se utilizar dos caminhos possíveis, exatamente como na
vida. As escolhas dependem da índole de cada um.
Reparo a força
positiva das ferramentas Facebook e WhatsApp. A visibilidade, a aproximação e
afastamento de pessoas queridas, a geração de novos afetos, a intensificação de
sentimentos adormecidos mostra facetas daquilo que supúnhamos, sem saber o
tamanho e a sua potência. Os ódios guardados no freezer podem vir à tona com o
frescor da hora do acontecimento, assim como amores e amizades adormecidos
podem voltar arrebentando, forçando emoções e despertando sentimentos gostosos
ou dolorosos.
Há quem seja
desinibido, comunicativo e que, em qualquer situação faça a festa, se dê bem,
apareça, arregimente contatos, participe de festas, fique à vontade em qualquer
lugar. Outros, mais fechados, tímidos, sérios e acanhados, conseguem pela
tecnologia dar seus primeiros passos, fazer amigos, encontrar amores,
reaproximar-se de colegas e parentes. Pessoas conhecidas mostram-se mais
acessíveis, e as afinidades e diferenças se fazem ver e marcar.
Ainda que eu faça uso
diário da internet desde a virada do século, me surpreendo positivamente em
relação às oportunidades que a rede oferece, especialmente em relação à família
maior, tios, primos, sobrinhos e afins. Há quase meio ano estamos em contato
frequente, participando da vida uns dos outros e isso nos torna mais amigáveis,
mais próximos, mais solidários e mais felizes.
Assim, só posso,
estando satisfeita com os frequentes encontros familiares, propiciados em parte
pela tecnologia, constatar que perde quem não a usa para se aproximar de gente,
para vê-las, tocá-las, amá-las, convivendo com todas as suas características,
boas e ruins, porque poucos são perfeitos. É a internet com seus prazeres e
aflições, mistérios e revelações.
*Médica endocrinologista, jornalista
profissional, membro da Academia Feminina de Letras e do Instituto Histórico e
Geográfico, ambos de Montes Claros e autora do livro “Segurando a
Hiperatividade”
De fato, Mara. A web pode ser tudo de bom ou tudo de ruim. É terra de ninguém, a única regulamentação é o bom senso. Que tenhamos sempre, pois. Abraços.
ResponderExcluirOs prazeres têm suplantado os dissabores, ainda que muitos não coloquem limites em suas vidas (e em suas falas e escritas). Agradeço a manifestação, Marcelo.
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