De graça?
* Por
Ana Deliberador
Olhos azuis, cabelos
loiros penteados cuidadosamente para o lado. Ares e olhares de grande
conquistador – pobre esposa – o gerente autorizou, prontamente, ao vendedor a venda a crédito à bela morena.
Passou-se o tempo e nada
de pagamento!
Mais um mês, mais outro, e nada!
Até que, não dando
mais para esperar pelo dinheiro, o gerente enviou o funcionário à casa da bela
com a cobrança em mãos.
– Deixe que eu já vou
lá na loja acertar – foi a resposta obtida.
A morena se arrumou
toda, roupa justa a mostrar as belas prendas, e lá se foi postar em frente à
loja – onde todos pudessem vê-la e ouvi-la – e
disparou, alto e bom som:
– Como é que é? Tem
que pagar?
Silêncio absoluto!
– E você? Quer comer
de graça?
Dado o recado, girou
nas altas e douradas sandálias, e foi-se embora, calmamente.
* Professora, pintora e escritora
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