segunda-feira, 16 de maio de 2016

Programa de índio

* Por Núbia Araujo Nonato do Amaral

Vamos ao Shopping?
- Eba! – gritaram os sobrinhos. Sabem como é, o lanche é inevitável. Suspirei fundo e lá fui. De início foi tranquilo até o bando cismar de entrar numa loja especializada em tranqueiras para o lar. Não sei pra quê! Tudo caro, mas a minha irmã queria porque queria.

Tudo muito bonitinho, formoso e oneroso. De repente escutamos um baque e uma peça de vidro foi ao chão. Minha sobrinha me pareceu ser a meliante pois estava mais próxima do local do evento.

Foi uma debandada geral, todos fugiram do flagrante! Quando alcançamos a saída, minha sobrinha, de bico formado, declarava a plenos pulmões a sua inocência.

Porém, faltava alguma coisa... não atinamos até nos dar conta de que uma das comparsas, alheia ao sinistro, se perdera dentro da loja.

Com o grupo reorganizado passamos em frente a uma loja e eu percebi claramente que a vendedora me olhava com uma certa malícia.

A menina não se deu por vencida e só faltou me arrastar para a loja! A referida loja era para tamanhos especiais, pomposamente chamada de plus size.

Fiquei indignada com o assédio da menina.
- Cacete! Gorda não pode passear sossegada!

Minhas sobrinhas choravam de rir da minha cara, inclusive a bicuda. Lógico que toda essa revolta foi forjada na sacanagem, na gozação. Sair com o meu povo é diversão na certa. Pagamos micos juntas, pra no final, chorarmos de tanto rir.

 * Poetisa, contista, cronista e colunista do Literário



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